Cinco possíveis desfechos para a guerra na Ucrânia

Após uma semana de conflito não é fácil prever a sua conclusão.

Executive Digest

Uma semana depois do início da invasão da Ucrânia, e já depois de dois encontros de delegações russas e ucranianas que não resultaram num cessar-fogo, não é fácil prever o rumo que este conflito vai seguir e qual será o seu desfecho.

A BBC enumerou cinco possíveis conclusões para o conflito na Ucrânia: uma guerra curta, uma guerra longa, uma guerra que alastra pela Europa, a solução diplomática e a deposição de Vladimir Putin.



Guerra curta

Neste cenário, a Rússia aumenta a intensidades das suas operações militares na Ucrânia, com mais ataques que recorrem a mísseis. A força aérea russa, que tem desempenhado um papel relativamente discreto, lançaria ataques destrutivos.

Este cenário também contempla amplos ciberataques na Ucrânia, com o intuito de atingir a infraestrutura do país. O fornecimento de energia e as comunicações são cortados.

Nesta hipótese, milhares de civis morrem, Kiev cai em poucos dias, e Putin concretiza o seu objetivo de derrubar o governo liderado por Volodymyr Zelensky e substituí-lo por um que seja controlado pelo Kremlin. Volodymyr Zelensky é assassinado ou foge da Ucrânia para estabelecer um governo no exílio.

Putin declara vitória, retira algumas forças militares mas deixa na Ucrânia um número suficiente de forças russas para subjugar eventuais resistências.

No entanto, um governo pró-russo seria sempre instável e a perspetiva de um novo conflito continuaria a ser elevada.

Para este desfecho acontecer seria necessário que as forças militares russas tivessem um desempenho melhor, que Putin mobilizasse um número maior de soldados e que o esforço de resistência dos ucranianos começasse a desvanecer.

Guerra longa

Este pode até ser o cenário mais provável. Neste caso, o avanço das forças russas estagna devido a falta de motivação e problemas de logística. A conquista de cidades como Kiev é demorada, e implica o recurso a longos cercos.

Este cenário põe em causa a capacidade da Rússia para mobilizar tropas suficientes para conquistar um país tão grande como a Ucrânia. Por outro lado, as forças ucranianas tornam-se cada vez mais eficazes, motivadas e beneficiam do apoio da população ucraniana.

Além disso, nesta opção os Estados Unidos e países europeus continuam a fornecer armas e munições ao exército ucraniano.

Esta previsão admite assim a possibilidade de, após muitos anos de conflito na Ucrânia, haver uma mudança de liderança na Rússia, que opte pela retirada das tropas russas.

Guerra propaga-se pela Europa

É um cenário preocupante, mas que não tem sido descurado: a possibilidade deste conflito passar as fronteiras da Ucrânia e alastrar ao resto da Europa.

Putin poderia desta forma sentir-se tentado a recuperar mais antigos territórios do Império Russo, destacando tropas para a Moldávia e para a Geórgia, países que não fazem parte da NATO. O presidente russo pode considerar que o fornecimento de armas por parte dos Estados Unidos e dos países europeus à Ucrânia constitui um ato de agressão que merece retaliação.

Os estados bálticos poderiam ser assim as vítimas seguintes de Putin. Sendo a Lituânia, a Letónia e a Estónia membros da NATO, o ataque contra um destes países seria considerado um ato de guerra contra todos os membros.

O escalar do conflito na Europa, envolvendo a NATO, é algo que Putin pode encarar para salvar a sua liderança, principalmente se estiver à beira de uma derrota na Ucrânia. Não seria surpreendente. A Rússia não tem hesitado sequer em acenar com a ameaça nuclear, depois de Putin ter decidido colocar em alerta máximo as forças nucleares do exército.

Solução diplomática

Depois deste conflito ter chegado a este ponto, ainda é possível uma resolução diplomática? Os canais de comunicação entre Kiev e Moscovo mantêm-se abertos, como atestam os dois encontros mantidos para negociações entre delegações ucranianas e russas. Não resultaram num cessar-fogo, mas assinalam a disponibilidade do Kremlin para continuar a negociar.

Uma solução diplomática implicaria que Vladimir Putin percebesse quais os termos necessários para que as sanções contra a Rússia fossem suspensas e se chegasse a um acordo.

Isto poderá ser mais provável de acontecer se a guerra na Ucrânia se prolongar. Nesse cenário a economia russa seria ainda mais afetada pelas sanções, e também seria de prever mais protestos contra a guerra nas ruas do país.

A China pode ter um papel importante também. O prolongamento da guerra pode não agradar a Pequim, que pode intervir e pressionar Moscovo a negociar um compromisso para um cessar-fogo.

A diplomacia prevalece e Rússia e Ucrânia chegam a um acordo. A Ucrânia pode aceitar a soberania da Rússia na Crimeia, em Donetsk e Lugansk. Eventualmente, até pode ceder partes maiores do território ucraniano. A Rússia aceitaria a independência da Ucrânia, e até a entrada na União Europeia e na NATO.

A deposição de Putin

É possivelmente o cenário mais improvável face ao poder e controlo que Putin exerce na Rússia, mas não deve ser descartado. As consequências das sanções na economia e as mortes dos soldados russos podem afetar significativamente a popularidade de Putin.

Isso pode gerar insurgência na Rússia. Putin certamente usaria as forças de segurança para acabarem com a revolta popular. Mas isso poderia levar a elite que o rodeia a virar-se contra ele.

A substituição de Putin por um presidente mais moderado levaria os Estados Unidos e a Europa a levantarem as sanções e a restaurarem as relações diplomáticas com a Rússia.

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