A ciência médica continua o seu caminho para descobrir como se desenvolve a imunidade ao vírus que provoca a Covid-19, tanto no caso das próprias vacinas como nos casos de contacto direto com o vírus – o facto de existirem pessoas ainda com uma dose única administrada, por exemplo, explica-se pelo facto de terem sido previamente infetadas pela Covid-19 e, como tal, geraram defesas que não precisam de inoculações para ser fabricadas.
As imunidades, entre a vacina e contágio, são ao mesmo tempo muito parecidas mas também diferentes, o que tem provocado diversas investigações em diferentes laboratórios em redor do mundo, para se saber se no futuro será necessário continuar a aplicar uma dose de reforço ou se de uma forma ou de outra será suficiente para ‘apagar’ o coronavírus.
E enquanto as vacinas geram uma memória sobre a proteína S do SARS-CoV-2, aquela que gera os sintomas mais perigosos, a infeção provoca uma resposta direta do organismo de defesa. Em outras palavras, ao criar anticorpos nos dois sentidos, a imunidade natural seria mais completa, pois inclui todas as proteínas do vírus.
Isso foi confirmado várias vezes pela investigadora do organismo espanhol Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC), Margarita del Val, que, no entanto, coloca um grande “mas” na imunidade por contágio.
Ou seja, apesar de, em princípio, os anticorpos gerados pelo contágio serem mais eficazes, essa situação é mais perigosa e levanta mistérios de como pode afetar um organismo. Portanto, a chave estaria em um sistema ‘híbrido’, onde apesar de vacinado, o vírus entra no organismo com quase nenhum efeito nocivo, mas gera uma maior resposta de anticorpos.
É aqui que reside a importância das doses de reforço, que viriam a substituir este contágio, evitando na maioria dos casos situações graves que conduzam a internamentos ou óbitos.
Estas diferenças são válidas para qualquer variante da Covid-19, até mesmo a Ómicron, numa altura em que a ciência ainda investiga diferenças e semelhanças vitais para a convivência com o vírus no futuro.










