Alterações climáticas estão a antecipar a primavera em cerca de dois dias por década, aponta estudo

Com a falta de chuva, a nebulosidade diminui, o que causa mais radiação solar durante o dia e mais geada à noite, fazendo com que as plantas brotem antes do tempo e confundindo-as com o início da Primavera.

Simone Silva

Há já alguns anos que a ciência mostra que as alterações climáticas estão a causar irregularidades na duração e na data de início das estações do ano, no hemisfério norte.

Agora, um novo estudo, publicado na revista ‘Nature Climate Change’, oferece mais evidências dessa mudança sazonal. Os autores apontam que, com a falta de chuva, a nebulosidade diminui, o que causa mais radiação solar durante o dia e mais geada à noite.



Segundo o ‘La Vanguardia’, tudo isso faz com que as plantas brotem antes do tempo, constituindo um “cocktail perfeito” que confunde a vegetação com o início da primavera, acelerando o surgimento da estação.

No hemisfério norte do planeta, a frequência das chuvas diminuiu nos últimos 30 anos, afetando o calendário natural das plantas, segundo a pesquisa, liderada por Jian Wang, da Ohio State University, nos EUA, e por Josep Peñuelas, professor e investigador do CSIC do CREAF.

O estudo – que relata pela primeira vez a falta de chuva e o despertar prematuro da natureza – prevê especificamente uma aceleração da primavera entre 1,2 e 2,2 dias por década, como consequência apenas da diminuição da frequência de chuvas prevista para este século.

“Este inverno estamos a viver uma situação paradigmática para entender os resultados deste artigo. Não chove e temos geadas e contrastes fortes que aceleram claramente a primavera”, explica Josep Peñuelas.

Segundo o responsável, “embora este estudo fale sobre o clima,  a situação que vivemos ajuda-nos a entender como a falta de cobertura de nuvens confunde as nossas plantas”,

Para tirar essas conclusões, a equipa mediu os fluxos de carbono da vegetação, já que as plantas começam a realizar fotossíntese e alteram os fluxos de carbono. Por isso, registaram a saída das folhas e verificaram as mudanças no verdor da vegetação em grande escala, com imagens de satélite.

Com um baixo nível de precipitação durante o inverno, isso significa que há menos nuvens. O céu limpo leva a contrastes de temperatura muito acentuados entre o dia e a noite: temperaturas agradáveis ​​durante o dia e geadas à noite.

Tudo isso confunde as plantas, que percebem esta situação como sinais típicos de que a primavera já chegou: acumulam as horas de frio e radiação de que precisam mais cedo e, em conjunto com os contrastes de temperatura típicos da primavera, acordam mais cedo da dormência do inverno.

“Se as plantas brotam mais cedo, começam a fotossíntese mais cedo e isso afeta os ciclos de carbono em todo o mundo. Saber que a diminuição da frequência das chuvas também afeta este ritmo natural é um conhecimento fundamental a ter em conta nas previsões das alterações climáticas”, conclui Josep Peñuelas.

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