Erupção em Tonga teve uma força superior em mais de 100 vezes à bomba atómica de Hiroshima, indica NASA

Vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha’apai libertou um cogumelo de fumo que atingiu uma altura de 40 quilómetros após a erupção

Francisco Laranjeira

A força da erupção vulcânica no arquipélago em Tonga, no passado dia 15, superou em muito o poder da bomba atómica lançada sobre Hiroshima (Japão), segundo cientistas da NASA, enquanto os sobreviventes do desastre natural apontaram esta segunda-feira que eles sofreram um choque que “abalou os seus cérebros”.

De acordo com o Observatório da Terra da NASA, o vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha’apai libertou um cogumelo de fumo que atingiu uma altura de 40 quilómetros após a erupção, que foi ouvido no Alaska, a mais de 9 mil quilómetros de distância. Segundo o organismo americano, a erupção foi várias centenas de vezes mais poderosa do que a bomba atómica dos EUA lançada sobre a cidade japonesa de Hiroshima em agosto de 1945, que foi estimada em 15 kt (um quiloton equivale a 1.000 toneladas) de TNT.



“Calculamos que a quantidade de energia libertada pela erupção era equivalente a entre 5 e 30 mt (um megaton = 1.000 kt)”, explicou Jim Garvin, cientista da NASA.

A agência disse que a erupção “aniquilou” a ilha vulcânica, localizada a 65 km a norte da capital tonganesa, Nuku’alofa. O desastre natural cobriu o reino insular – com uma população de cerca de 100 mil pessoas – numa camada de cinzas tóxicas, destruindo plantações agrícolas e arrasando por completo pelo menos duas aldeias. Foi responsável pela morte de três pessoas em Tonga e no Peru, devido ao tsunami, colheu a vida de dois banhistas, devido à altura excecional das ondas causadas pela erupção.

Em Tonga, a extensão dos danos ainda é incerta, principalmente porque as comunicações ainda estão inoperacionais. O seu impacto “excedeu em muito qualquer outra coisa já experenciada pelas pessoas daqui”, revelou a jornalista Mary Lyn Fonua, à agência AFP. “A onda de choque da erupção abalou os nossos cérebros”, explicou, acrescentando que a fina camada de cinzas que cobre tudo dificulta a vida dos habitantes. “Escorre para todo o lado (…) irrita os olhos, produz feridas no canto da boca, toda a gente tem as unhas enegrecidas. Parecemos um bando de pessoas sujas”, frisou.

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