‘Costa Concordia’: 10 anos após o naufrágio, o que é feito do comandante e do navio?

Cruzeiro italiano naufragou ao largo de Isola del Giglio, em Itália, e causou 33 mortos

Francisco Laranjeira

Cumpre-se esta quinta-feira 10 anos do acidente do cruzeiro italiano ‘Costa Concordia’ ao largo de Isola del Giglio, na Toscânia, em Itália. O capitão do navio, Francesco Schettino, tentou uma manobra de aproximação do porto de Giglio para saudar os seus habitantes quando o navio embateu numa rocha debaixo de água e abriu uma fenda de 70 metros de comprimento na embarcação. Do naufrágio resultaram 33 mortos – 27 passageiros, cinco membros da tripulação e um elemento da equipa de socorro. A bordo, estavam na altura cerca de 3.200 passageiros e mil funcionários, o dobro dos presentes no naufrágio do Titanic, em 1912.

Durante o julgamento do agora ex-capitão, alguns tripulantes disseram que ele teria feito a manobra para chamar a atenção de uma dançarina moldava com quem estava tendo um caso extraconjugal. O erro causou um corte na corrente elétrica, que também afetou o gerador que existia dentro do barco.

Francesco Schettino foi um dos primeiros a abandonar o navio. Segundo ele, o choque ejetou-o do ‘Costa Concordia’ e, como o seu substituto estava a trabalhar, decidiu que não seria bom voltar, já que as medidas de naufrágio seriam conduzidas pelo “comandante de reserva”.

Nas suas investigações, a polícia descobriu um telefonema do antigo capitão com a Guarda Costeira italiana. Gregorio de Falco (representante da Guarda) ordenou para que Schettino voltasse e ajudasse no resgate das mais de 4.200 pessoas presas na embarcação, algo que Schettino desobedeceu. Durante o diálogo, reproduziu uma frase que ganhou fama mundial imediatamente: “Vada a bordo, cazzo”.

“Ouça, Schettino, talvez se tenha salvado do mar mas vou fazer você ficar muito mal. Vou fazer-te pagar por isto. Vá para bordo!”, gritou De Falco para Schettino. A palavra italiana que De Falco usou, “cazzo”, é na gíria ‘destinada’ ao órgão sexual masculino, mas é usada corriqueiramente em Itália para enfatizar alguma coisa. A expressão ficou famosa e chegou a ser estampada em t-shirts vendidas na internet.

Continue a ler após a publicidade

Para Ilarione Dell’Anna, almirante da Guarda Costeira responsável pelas operações de socorro, “este foi um episódio com uma importância histórica para quem estuda problemas náuticos”, tendo sido a maior operação de socorro marítimo até à data.

Logo após a tragédia, Francesco Schettino foi afastado das suas funções na empresa e ficou detido em prisão domiciliar até julho de 2012. Depois desse período, o ex-comandante assumiu uma posição defensiva em relação ao ocorrido – na sua primeira entrevista depois do acidente pediu desculpas ao povo italiano e reconheceu a culpa pelo ocorrido. Schettino foi alvo de um processo judicial e, durante seu julgamento, disse que deveria ter sido avisado pelas pessoas que estavam na ponte de comando.

Com o avanço das investigações, o italiano, agora com 61 anos, foi julgado e condenado a 16 anos de prisão por homicídio, naufrágio e por ter abandonado o navio. Atualmente está a cumprir pena no centro de detenção de Rebibbia, em Roma, onde estuda direito e jornalismo.

Continue a ler após a publicidade

Foram necessários quase dois anos para que o navio fosse retirado do local e transportado para outro porto, onde foi depois desmontado. O colosso turístico tinha 1.500 cabines de luxo, seis restaurantes, 13 bares, um ginásio com spa de dois andares, um teatro, quatro piscinas, um casino e uma discoteca, a Lisbona Disco.

Em setembro de 2013, a defesa civil italiana anunciou ter encontrado uma forma de o retirar das rochas, embora a operação só tenha começado em setembro de 2014. Foram estendidos cabos no topo do navio para que ele não escorregasse durante o resgate. Depois foi projetado um fundo falso para preencher o espaço vazio entre a embarcação e o fundo do mar da região. Além disso, alguns tanques de metal foram instalados para funcionarem como boias. Após ser retirado das rochas e carregado, o ‘Costa Concordia’ foi rebocado até o porto de Génova e, posteriormente, desmontado.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.