Volodymyr Zelensky mencionou o Holocausto para rebater o antigo secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, que argumentou esta semana no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, que a Ucrânia deveria desistir da sua esperança de recuperar território que a Rússia anexou em 2014 no interesse de parar a guerra atual o mais rapidamente possível, segundo revelou esta quinta-feira o jornal ‘Jewish Telegraphic Agency’.
Henry Kissinger disse, na passada segunda-feira, que a Ucrânia deveria acabar com a guerra aceitando o “status quo ante” – em outras palavras, a efetiva anexação de territórios no leste da Ucrânia pela Rússia em 2014.
“Na minha opinião, o movimento em direção às negociações e negociações de paz precisa de começar nos próximos dois meses para que o resultado da guerra seja delineado”, explicou Kissinger.
No entanto, Volodymyr Zelensky criticou a sugestão. “Não importa o que o Estado russo faça, há sempre alguém que diz: ‘Vamos levar em conta os seus interesses.’ Este ano, em Davos, foi ouvido novamente”, garantiu o líder ucraniano. “Ainda em Davos, por exemplo, Kissinger emergiu do passado profundo e diz que um pedaço da Ucrânia deveria ser dado à Rússia para que não haja alienação da Rússia da Europa”, acusou, acrescentando:
“Parece que o calendário de Kissinger não é 2022, mas 1938, e ele pensou que estava a falar para um público que não em Davos, mas em Munique daquela época.”
A referência de 1938 alude ao acordo em Munique naquele ano pelas potências da Europa Ocidental para permitir que Adolf Hitler reivindicasse a Checoslováquia, na esperança de conter as suas ambições. Hitler então invadiu a Polónia no ano seguinte, iniciando a II Guerra Mundial. “A propósito, no ano real de 1938, quando a família de Kissinger estava a fugir da Alemanha nazi, ele tinha 15 anos e entendia tudo perfeitamente”, atacou Zelensky. “E ninguém o ouviu na época que era necessário adaptar-se aos nazis em vez de fugir deles ou combatê-los.”








