A guerra na Ucrânia ‘permite brincar’ sobre uma realidade que não aceita humor – mas não é essa a visão do sargento Serhii Sanders, médico do exército ucraniano, que tem uma curiosa teoria sobre o adversário. “É como estar em guerra com zombies. Os russos são enviados para lutar em massa, como uma hordas de zombies. Aqueles que morrem ficam no campo de batalha sem que os restantes reflitam sobre o destino que os espera, como se não tivessem cérebro. Temos menos homens e menos armas, mas temos cérebros, e é por isso que contra-atacamos com sucesso”, garantiu o médico, segundo revelou o jornal espanhol ‘ABC’.
No hospital número 2 de Kramatorsk, o principal bastião de Kiev na disputada província de Donetsk, o médico mantém a confiança, depois de três meses de ofensiva russa que não conseguiu romper as defesas. “Aqui em Kramatorsk a linha de frente não se moveu. Quando a invasão começou, a Rússia ocupou lugares como Kherson, Mariupol ou parte de Zaporizhia, mas depois parou de avançar. Então a nossa contra-ofensiva começou e travou-os. Kramatorsk é agora uma zona segura. A situação em Bakhmut é mais complicada por causa dos ataques aéreos mas não vamos sair de lá, nem de Slaviansk. Não vamos sair de lugar nenhum”, assegurou o sargento, originário da cidade russa de Irkutsk.
Há muitos especialistas que concordam com Sanders sobre o impasse russo em várias partes da Ucrânia após a sua retirada de Kiev, Chernigov e Kharkov. Os serviços de inteligência ocidentais atribuem à decisão de Moscovo de concentrar a sua ofensiva no Donbass para consolidar o seu controlo sobre a faixa do território que inicialmente cobiçou e que se entende ao sul, com o objetivo de chegar a Odessa e dessa forma privar a Ucrânia da sua saída vital para o mar.
Mas o impasse russo, segundo Sanders, é devido a falta de estratégia. “Eles têm uma população muito maior do que a nossa e um dos exércitos mais poderosos, mas temos visto perdas maciças de russos desde o primeiro dia. Quando fazemos prisioneiros, perguntamos por que eles lutam. ‘Não sabemos, contra os nazis’, dizem. Eu sei o porquê – pela minha família, pelos meus amigos e pelo meu país. Eles não são mais pessoas para mim, eu não sinto nada por matá-los. Eles são zombies que querem devorar os meus.”
O que não é uma novidade: o marechal soviético Georgy Zhukov é creditado com uma frase reveladora, quando explicou ao americano Dwight D. Eisenhower o seu método para limpar campos minados da II Guerra Mundial: enviar infantaria. “As mulheres darão à luz mais homens”, comentou o marechal.








