Covid-19. Carmo Gomes deixa “um apelo” aos mais jovens para que tomem a dose de reforço: “É muito importante”

O ponto de situação foi feito pelo epidemiologista Manuel Carmo Gomes, à Multinews. 

Simone Silva

Manuel Carmo Gomes, epidemiologista da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), deixou um apelo à vacinação da população, sobretudo dos mais jovens, numa altura em que se avizinha o surgimento de uma nova variante.

Em declarações à Multinews, o responsável destacou o importante papel da vacinação, sublinhando que “a Comissão decidiu antecipar o reforço, precisamente para proteger os mais velhos, porque a maior parte destas pessoas já foi vacinada há mais de 5, 6 meses, o que significa que o nível de proteção contra infeção é bastante baixo”.



“Agora muito provavelmente estas pessoas vão necessitar daqui a quatro ou cinco meses, de voltar a ter um reforço que será a quinta dose, para os preparar para o próximo outono, em que é altamente provável que tenhamos outra subvariante da ómicron capaz de infetar as pessoas”, referiu.

Neste sentido, o epidemiologista deixou “um apelo a todas as pessoas, que tendo mais de 18 anos e ainda não fizeram o seu reforço do esquema primário de vacinação, o façam, é muito importante”.

“Há muitas pessoas que não têm a terceira dose, principalmente os mais jovens. Por exemplo, entre os 20 e os 39 anos apenas metade das pessoas fizeram o reforço. Muitas não o fizeram porque foram infetadas, mas passado aproximadamente 4, 5 meses convém que o façam”, aponta.

Primeiro, sublinha, “porque a concentração de anticorpos no sangue imediatamente sobe para níveis bastante altos, que vão proteger as pessoas durante cerca de cinco meses da infeção. A segunda razão e mais importante é que está agora bem claro que a terceira dose reforça a imunidade contra a doença grave e protege contra mais variantes”.

Portugal enfrenta atualmente um recrudescimento da pandemia de Covid-19, tanto a nível de infeções, como de internamentos e de óbitos. “Neste momento estamos com uma média de 20.600 novos casos por dia, o que representa um aumento significativo. Basta recordar que há uma semana a média diária era de 13 mil casos”, afirmou Carmo Gomes.

Segundo o epidemiologista, “o Rt está com um valor relativamente alto, entre 1,2 e 1,3, a nível nacional e e em praticamente todas as regiões. A única exceção é a Madeira, que têm um Rt igual a 1 e não tem tido um aumento por enquanto”.

Recorde-se que na segunda-feira foram registados quase 34 mil casos diários. Há mais de três meses que o país não tinha tantos casos diários da Covid-19. É provável que se chegue aos 50 mil em duas semanas, segundo revelou o especialista Henrique Oliveira, à Multinews.

Internamentos e óbitos também sobem

“Mas mais do que o número de casos, preocupa-nos o impacto hospitalar. O número de pessoas internadas com Covid-19 esteve estável ao longo dos meses de março e abril, mas na primeira semana de maio começámos a notar um aumento”, adiantou Carmo Gomes.

Assim, os dados mostram que “em enfermaria temos neste momento 1.368 pessoas internadas, quando há uma semana tínhamos 1.110, por isso, houve aqui um aumento de cerca de 200 pessoas. Em UCI temos 79 pessoas, também uma subida face aos 55 de há uma semana”.

Quanto aos óbitos, segundo Carmo Gomes “também começaram a subir recentemente. Neste momento estamos com uma média de 22 por dia, há uma semana estaríamos com cerca de 19”.

“O indicador que o Governo tinha usado do número de óbitos a 14 dias por milhão de habitantes está em 31, a média estabelecida era os 20. Mas é melhor esquecer este indicador, que tem uma certa arbitrariedade. O que interessa é a tendência, se estão ou não a subir e de facto estão”, resume.

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