Na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, e na primeira audição desta terça-feira a várias associações que representam a comunidade ucraniana em Portugal sobre o acolhimento de refugiados ucranianos na Câmara de Setúbal, Pavlo Sadokha, o presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal, contou que pediu uma reunião com o Alto Comissariado para as Migrações no início de abril, após ter recebido denúncias da comunidade ucraniana contra organizações pró-Putin.
“Nós sabíamos bem que eram pró-Putin. Estão a receber refugiados ucranianos e rapidamente percebemos o perigo que estas pessoas corriam, principalmente para os familiares deles que estão a lutar para defender a Ucrânia”, revelou Sadokha.
“Pedimos reunião com o Alto Comissariado, que aconteceu no início de abril. Coloquei todas estas questões e o alto comissário disse que uma destas associações, a Russkiy Mir, já tinha sido retirada da lista”, prosseguiu Sadokha, acrescentando que “percebemos que ia ser difícil, dentro do alto comissariado, alterar esta situação e fizemos uma denúncia aos serviços de informação da República Portuguesa”.
Pavlo Sadokha sublinhou que ao longo dos anos foram feitas várias queixas da associação que lidera ao Alto Comissariado para as Migrações sobre organizações pró-Putin que estavam misturadas com as representações ucranianas em Portugal. Sadokha realçou que as queixas começaram em 2011.
Seis anos depois, a situação atingiu tal ponto que a Associação dos Ucranianos em Portugal desistiu de participar nas eleições para um representante do grupo de imigrantes ucranianos, pois nesse grupo constavam “duas associações de ucranianos e seis organizações pró-Putin”.
“Se participássemos nas eleições legitimávamos a situação”, argumentou Pavlo Sadokha.
Nota para o facto de que durante a audição deste representante da comunidade ucraniana em Portugal o PCP foi o único partido que recusou fazer perguntas.
Associação alertava para membros de agências de propaganda russa
Questionado pelos partidos sobre a situação concreta do acolhimento de refugiados em Setúbal, Pavlo Sadokha referiu que não teve conhecimento da colaboração da associação EDINTSVO com a Câmara de Setúbal.
No entanto, declarou que as organizações que trabalham junto da comunidade ucraniana “fazem parte de agências de propaganda russa e do conselho dos compatriotas russos junta da embaixada russa, e isso é perigoso porque tendo contacto direto com a embaixada russa é muito fácil fornecer informações”.
Sadokha destacou ainda o aviso feito aos imigrantes ucranianos que chegaram a Portugal ao longo dos anos. “Tenham cuidado porque há organizações aqui que assumiram ser membros de agências de propaganda russa”.



