Explosões na Transnístria têm a ‘assinatura’ da inteligência militar russa, garante ex-ministro da Defesa da Moldávia

Vitalie Marinuta acredita que as supostas provocações são todas sobre o público doméstico da Rússia, que precisa de ser preparado para acreditar que a intervenção é necessária para cumprir o objetivo declarado do presidente Vladimir Putin de proteger os russos nas ex-repúblicas soviéticas

Francisco Laranjeira

As explosões relatadas na região separatista moldava da Transnístria nas últimas 24 horas parecem ser parte de um esforço da inteligência russa para construir o caso de intervenção estrangeira, garantiu o antigo ministro da Defesa da Moldávia à publicação americana ‘Insider’.

A Transnístria – uma longa faixa de terreno ao longo da fronteira leste da Moldávia com a Ucrânia, que abriga cerca de 300 mil pessoas, a maioria das quais de expressão russa – rompeu com o Governo central em 1992 com a ajuda da Rússia. Cerca de 1.500 soldados russos estão estacionados lá atualmente, ostensivamente como parte de uma operação de manutenção da paz, mas também para guardar um importante depósito de munição.



Vitalie Marinuta, que atuou como ministra da Defesa da Moldávia de 2009 a 2014, disse que não faz sentido que as forças da Moldávia ou da Transnístria tenham realizado ou encenado os ataques. “Resta-nos apenas a Federação Russa”, disse Marinuta. “Tendo estudado como o GRU, ou a sua inteligência militar, funciona – parece que é a assinatura deles.”

As explosões ocorrem uma semana depois de um general russo ter alertado que Moscovo pretende conquistar o sul da Ucrânia e unir as suas forças com as da Transnístria. Dois dias depois, um ataque num prédio usado pelos serviços de segurança na capital Tiraspol e, esta manhã, houve mais ataques relatados em torres de transmissão de rádio na região.

Em comunicado, o Escritório de Políticas de Reintegração da Moldávia descreveu as explosões como “pretextos” destinados a inflamar as tensões, com a presidente Maia Sandu a convocar, esta terça-feira, uma reunião das principais autoridades de segurança do país para discutir a situação. Marinuta acredita que as supostas provocações são todas sobre o público doméstico da Rússia, que precisa de ser preparado para acreditar que a intervenção é necessária para cumprir o objetivo declarado do presidente Vladimir Putin de proteger os russos nas ex-repúblicas soviéticas.

“Eles têm de construir um caso”, explicou. “Vejo-os a construir cada vez mais os factos que lhes darão o ‘direito’ – eles dirão o ‘direito’ – de intervir na região da Transnístria”, alegou. “Além disso, provavelmente, querem convencer o Governo ucraniano de que atacarão da Transnístria – para fazer os ucranianos trazerem mais forças para cá.”

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.