Loucura do caranguejo russo na Coreia do Sul provoca debate ético sobre crise na Ucrânia

Antes da guerra na Ucrânia, o marisco russo tinha um preço muito elevado. Depois do início do conflito, a procura disparou nos mercados e restaurantes sul-coreanos.

Executive Digest

A queda nos preços dos caranguejos importados da Rússia estão a levar os sul-coreanos a rumarem aos seus mercados e restaurantes para aproveitarem o valor baixo desta iguaria. Mas ao mesmo tempo, os consumidores deste país asiático sentem-se divididos. Ao comprarem e consumirem estes caranguejos estão a apoiar, ainda que indiretamente, a invasão russa na Ucrânia, como refere a Reuters.

Em causa está nomeadamente o caranguejo-real, que se destaca pelo seu tamanho grande, mas também outros caranguejos e lagostas importados da Rússia. Antes da guerra na Ucrânia, eram iguarias muito apreciadas mas caras na Coreia do Sul.



No entanto, no final de fevereiro o preço deste marisco baixou para quase metade depois da União Europeia, os Estados Unidos e outros países terem proibido a importação de marisco por causa da invasão da Ucrânia. Além disso, os confinamentos em grandes cidades chinesas também contribuíram para aumentar as importações dos caranguejos e lagostas russos para a Coreia do Sul.

O exemplo na queda do preço pode ser observado pelo caranguejo-real. Kim Mi-kyeong, que gere um banca de peixe e marisco em Noryangjin há 10 anos, contou à Reuters que vendia um quilo de caranguejo-real por 82 euros à dois meses. Agora vende por 63 euros o quilo.

“Os preços estão mais baixos agora, por isso vendemos ao dobro das pessoas”, acrescentou.

Há quem deseje que mais marisco russo chegue à Coreia do Sul e que os preços continuem a baixar, mas outros consideram que o governo de Seul deve juntar-se a outros países e proibir a importação de marisco da Rússia, e que os consumidores sul-coreanos devem parar de comprar este marisco.

“Não devíamos comprar estes caranguejos. Nem sequer se trata de uma necessidade, e a Rússia está a empreender uma guerra injustificável contra a Ucrânia. Devíamos juntar-nos ao boicote”, afirmou Mi-jung, que estava num mercado sul-coreano à procura de outros alimentos.

Na próxima segunda-feira, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky vai falar por videoconferência no parlamento da Coreia do Sul.

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