As redes sociais têm sido um dos principais ‘campos de batalha’ no que toca às mudanças climáticas: uma ‘guerra sem quartel’ entre os céticos e os entusiastas, que esgrimem dados científicos para provar que o clima na Terra tem vindo a mudar drasticamente por centenas de milhares de anos, muito antes do aparecimento dos combustíveis fósseis e a era industrial. Repare neste post, amplamente partilhado, que revela um gráfico da responsabilidade da Utah Geological Survey, que tem sido usado para demonstrar que as temperaturas estão a flutuar há mais de 400 mil anos, principalmente porque coincide com o ciclo glacial.
Earth is locked in a global climate pattern that’s evolved over billions of years. This chart shows the past four glacials, miles deep glaciers & a global deep freeze. Humans have no part in future climate change. A fake UN campaign on carbon dioxide is only about money & power. pic.twitter.com/4MpXiqzlKM
— Peter Clack (@PeterDClack) March 24, 2022
Os cientistas climáticos garantem que já ocorreram, ao longo da história da Terra, cinco grandes eras glaciais – mudanças cíclicas previsíveis na órbita da Terra, que afetam a quantidade de luz solar que atinge a superfície. Além disso, um gatilho significativo no início das eras glaciais tem sido a mudança de posição dos continentes em constante movimento da Terra, que afetam os padrões de circulação oceânica e atmosférica.
Atualmente estamos num período interglacial quente (o período quente entre os períodos glaciais), que começou há cerca de 11 mil anos. O último período de glaciação, informalmente chamado de ‘Idade do Gelo’, atingiu o pico há cerca de 20 mil anos – e os dados científicos apontam que as temperaturas globais foram mais baixas durante esses períodos glaciais.
No entanto, apesar dos ciclos climáticos, não abordam as diferenças significativas entre os dados pré e pós-Revolução Industrial, tal como não explica o aquecimento observado desde a década e 1950.
Fatores humanos e naturais influenciam o clima da Terra, mas a tendência de longo prazo observada ao longo do século passado só pode ser explicada pelo efeito das atividades humanas no clima – é consensual, entre a maioria dos cientistas, que o aumento dos gases que retêm o calor na atmosfera está a aquecer o planeta a uma velocidade sem precedentes desde meados do século XX.
“Atualmente, estamos a viver um interglacial anormalmente longo chamado Holoceno, que dura há quase 11 mil anos. Espera-se que uma nova glaciação comece; no entanto, devido à mudança climática induzida pelo homem ou mudança climática antropogénica, a próxima glaciação está a ser adiada por alguns milhares ou centenas de milhares de anos. Portanto, espera-se que o interglacial Holoceno possa durar pelo menos mais 150 mil anos”, apontou Jason Donev da Universidade de Calgary, nos Estados Unidos, em declarações citadas pelo site ‘newswise’.
“É verdade que o clima muda sem qualquer influência humana, como demonstram as eras glaciais. No entanto, é uma falácia lógica concluir que os humanos não podem influenciar o clima. De facto, a comunidade científica demonstrou, sem sombra de dúvida, que as atividades humanas estão a perturbar dramaticamente o sistema climático”, referiu Andrew Dessler, professor de ciências atmosféricas da Texas A&M University.
Em grande parte devido à queima de combustíveis fósseis para obter energia, os humanos já aqueceram o planeta numa média de 1,1 graus Celsius desde 1880. Grande parte do aquecimento ocorreu desde 1975, a uma taxa de aproximadamente 0,15 a 0,20°C por década.
Se o aumento do dióxido de carbono continuar fora de controlo, pode-se esperar um aquecimento semelhante ao aumento das temperaturas da última era glacial até 2100, uma velocidade 10 vezes mais rápida do que a registada no final de uma era glacial.







