Aquecimento global pode ter adiado nova Era do Gelo em mais de 100 mil anos

Os cientistas climáticos garantem que já ocorreram, ao longo da história da Terra, cinco grandes eras glaciais

Francisco Laranjeira

As redes sociais têm sido um dos principais ‘campos de batalha’ no que toca às mudanças climáticas: uma ‘guerra sem quartel’ entre os céticos e os entusiastas, que esgrimem dados científicos para provar que o clima na Terra tem vindo a mudar drasticamente por centenas de milhares de anos, muito antes do aparecimento dos combustíveis fósseis e a era industrial. Repare neste post, amplamente partilhado, que revela um gráfico da responsabilidade da Utah Geological Survey, que tem sido usado para demonstrar que as temperaturas estão a flutuar há mais de 400 mil anos, principalmente porque coincide com o ciclo glacial.

Os cientistas climáticos garantem que já ocorreram, ao longo da história da Terra, cinco grandes eras glaciais – mudanças cíclicas previsíveis na órbita da Terra, que afetam a quantidade de luz solar que atinge a superfície. Além disso, um gatilho significativo no início das eras glaciais tem sido a mudança de posição dos continentes em constante movimento da Terra, que afetam os padrões de circulação oceânica e atmosférica.

Atualmente estamos num período interglacial quente (o período quente entre os períodos glaciais), que começou há cerca de 11 mil anos. O último período de glaciação, informalmente chamado de ‘Idade do Gelo’, atingiu o pico há cerca de 20 mil anos – e os dados científicos apontam que as temperaturas globais foram mais baixas durante esses períodos glaciais.

No entanto, apesar dos ciclos climáticos, não abordam as diferenças significativas entre os dados pré e pós-Revolução Industrial, tal como não explica o aquecimento observado desde a década e 1950.

Fatores humanos e naturais influenciam o clima da Terra, mas a tendência de longo prazo observada ao longo do século passado só pode ser explicada pelo efeito das atividades humanas no clima – é consensual, entre a maioria dos cientistas, que o aumento dos gases que retêm o calor na atmosfera está a aquecer o planeta a uma velocidade sem precedentes desde meados do século XX.

“Atualmente, estamos a viver um interglacial anormalmente longo chamado Holoceno, que dura há quase 11 mil anos. Espera-se que uma nova glaciação comece; no entanto, devido à mudança climática induzida pelo homem ou mudança climática antropogénica, a próxima glaciação está a ser adiada por alguns milhares ou centenas de milhares de anos. Portanto, espera-se que o interglacial Holoceno possa durar pelo menos mais 150 mil anos”, apontou Jason Donev da Universidade de Calgary, nos Estados Unidos, em declarações citadas pelo site ‘newswise’.

“É verdade que o clima muda sem qualquer influência humana, como demonstram as eras glaciais. No entanto, é uma falácia lógica concluir que os humanos não podem influenciar o clima. De facto, a comunidade científica demonstrou, sem sombra de dúvida, que as atividades humanas estão a perturbar dramaticamente o sistema climático”, referiu Andrew Dessler, professor de ciências atmosféricas da Texas A&M University.

Em grande parte devido à queima de combustíveis fósseis para obter energia, os humanos já aqueceram o planeta numa média de 1,1 graus Celsius desde 1880. Grande parte do aquecimento ocorreu desde 1975, a uma taxa de aproximadamente 0,15 a 0,20°C por década.

Se o aumento do dióxido de carbono continuar fora de controlo, pode-se esperar um aquecimento semelhante ao aumento das temperaturas da última era glacial até 2100, uma velocidade 10 vezes mais rápida do que a registada no final de uma era glacial.

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