Cientistas revelam planos para criar biocomputadores à base de células cerebrais humanas

“Uma comunidade de cientistas de topo reuniu-se para desenvolver esta tecnologia, que acredita que irá lançar uma nova era de biocomputação rápida, poderosa e eficiente”.

Beatriz Maio

Os cientistas de várias áreas estão a trabalhar para criar biocomputadores onde as culturas tridimensionais de células cerebrais, chamadas de organoides cerebrais, servem como material biológico, avança a revista Frontiers in Science.

“Chamamos a este novo campo interdisciplinar ‘inteligência organóide’ (OI)”, esclareceu o professor da Universidade Johns Hopkins, Thomas Hartung ao revelar que “uma comunidade de cientistas de topo reuniu-se para desenvolver esta tecnologia, que acredita que irá lançar uma nova era de biocomputação rápida, poderosa e eficiente”.



Os organoides cerebrais são um tipo de cultura de células cultivadas em laboratório e, embora não sejam ‘mini-cérebros’, partilham aspetos chave da função e estrutura cerebral, tais como neurónios e outras células cerebrais essenciais para funções cognitivas como a aprendizagem e a memória.

Além disso, enquanto a maioria das culturas celulares são planas, os organoides têm uma estrutura tridimensional, o que permite aumentar a densidade celular da cultura mil vezes e dar possibilidade aos neurónios de formar inúmeras ligações.

Como estas células representem uma boa imitação do cérebro, os especialistas acreditam que serão eficientes em termos energéticos. “Enquanto os computadores baseados em silício são certamente melhores com números, os cérebros são melhores na aprendizagem”, esclareceu Hartung. 

“Por exemplo, AlphaGo [a IA que venceu o jogador número um do mundo Go em 2017] foi treinado com dados de 160.000 jogos. Uma pessoa teria de jogar cinco horas por dia durante mais de 175 anos para conseguir experimentar todos”, acrescentou o professor ao destacar que a quantidade de energia gasta na formação AlphaGo é mais do que o necessário para manter um adulto ativo durante uma década.

Os testes estão a “atingir os limites físicos dos computadores de silício”, segundo Hartung dado que não é possível “colocar mais transístores num chip minúsculo”. No entanto, ao recorrer à forma como o cérebro está ligado – com cerca de 100 mil milhões de neurónios conectados através de mais de 1015 pontos de ligação – “é uma enorme diferença de potência em comparação com a tecnologia atual”, comentou o professor.

A OI vai, na ótica dos profissionais, acabar por integrar uma vasta gama de instrumentos de estimulação, permitindo interações através de redes de organoides interligados que implementam cálculos mais complexos.

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