Desde que começou a invasão russa à Ucrânia que se multiplicam os casos de oligarcas russos, milionários e poderosos, muitos com ligações ao setor militar, da energia e ao próprio Presidente Putin, que morreram em circunstâncias misteriosas ou que levantam algumas dúvidas.
No total, nos 12 meses de guerra na Ucrânia, já se contam pelo menos 14 casos de oligarcas russos que acabaram mortos nas mais variadas circunstâncias: quedas de edifícios, alegados suicídios, ataques cardíacos ou esfaqueamentos.
A primeira morte ocorreu poucas semanas antes do início propriamente dito da invasão, em janeiro de 2022. Leonid Schulman, de 60 anos, um dos diretores de topo da petrolífera estatal russa Gazprom foi encontrado morto em casa, em São Petersburgo. Segundo a investigação das autoridades russas, foi encontrada uma carta na habitação que apontava para suicídio.
Logo depois do início da guerra, um dia depois mais precisamente, a 25 de fevereiro, Alexander Tyulyakov, também um dos executivos de topo da Gazprom, maior exportadora de gás natural do mundo, foi encontrado morto, alegadamente por enforcamento, na garagem de casa.
Mikahil Watford, oligarca nascido na Ucrânia e com um império no petróleo e gás natural, é encontrado morto em casa, no sul de Inglaterra (Surrey), aos 65 anos, a 28 de fevereiro do ano passado. A polícia inglesa deu a morte como “inexplicável”, mas não levantou investigação criminal, por não considerar o óbito suspeito.
Vasily Melnikov, milionário e diretor-executivo da Medstom, empresa russa de equipamento médicos, foi encontrado morto a 24 de março do ano passado. Ao lado estavam a mulher, Galina, e os dois filhos do casal, no apartamento em Ninxhi Novgorod. Não havia vestígios de luta ou arrombamento e o caso foi tratado como homicídio seguido de suicídio.
A 19 de abril os casos chegam à cúpula governamental. O antigo ministro do Kremlin, multimilionário e ex-líder do banco Gazprombank Vladislav Avaev, de 51 anos, é encontrado morto num apartamento em moscovo. Também os corpos da mulher e da filha foram encontrados. Todos tinham sido baleados por uma arma encontrada ao lado de Avaev, pelo que o caso foi arquivado como suicídio.
No dia seguinte novo caso: Sergey Protosenya, que liderava a segunda maior empresa de gás russa, a Novatek, é encontrado morto em Lloret del mar, em Espanha, num cenário de enforcamento. Como foi encontrado com os cadáveres da mulher e da filha esfaqueados, a investigação aponta para hipótese de um caso de homicídio seguido de suicídio.
Em maio morreu de ataque cardíaco, em circunstâncias suspeitas, Alexander Subbotin. Era dono de uma grande empresa naval, possuído estaleiros, e era executivo na petrolífera Lukoil. Especula-se que o enfarte tenha sido causado por envenenamento, mas a polícia russa não efetuou quaisquer diligências para o confirmar.
Precisamente dois meses depois, em julho, Yuri Voronov é encontrado morto na piscina de casa com um tiro na cabeça. Era empresário no setor dos transportes e tinha uma empresa que era contratada pela Gazprom.
A 1 de setembro de 2022 novo caso suspeito na Lukoil. O presidente da empresa, Ravil Maganov, começou por, em declarações públicas lamentar “os trágicos acontecimentos na Ucrânia”. Acabou por sofrer um ataque cardíaco e, quando estava no hospital internado, em Moscovo, caiu de uma janela.
No mesmo mês foi encontrado morto Andrei Krukovsky, diretor da luxuosa estância de ski Krasnya Polayna, que é gerida pela Gazprom e habitualmente ponto de paragem de Putin. Terá caído de um penhasco.
Ivan Pechorin, que liderava a administração da indústria de aviação do Corpo de Desenvolvimento do Extremo Ocidente (ERDC) terá caído de uma embarcação no início de setembro. As autoridades dizem que estava alcoolizado e que o acidente ocorreu depois de a embarcação em que seguia o oligarca ter passado no Mar do Japão.
A 21 de setembro é noticiada a morte de Anatoly Gerashchenko. O ex-diretor do Instituto de aviação de Moscovo terá caído das escadas no trabalho, em circunstâncias que permanecem por explicar. Professor e engenheiro de renome, era próximo de Putin e celebrado pelos avanços no desenvolvimento aeroespacial da Rússia.
Já em dezembro do ano passado foi a vez de Pavel Antov, político russo pró-Putin que criticou a guerra, Foi encontrado morto após ter caído da janela de um 3.º andar na Índia, quando estava a comemorar o 66.º aniversário.
No mesmo mês morreu o magnata russo da construção Dmitry Zelenov, no dia 9, em Antibes, França.
Caiu das escadas depois de um jantar com amigos e acabou por não resistir aos ferimentos graves sofridos na cabeça. Poucas semanas antes tinha sido sujeito a uma operação ao coração.










