Prepare-se para aumentos significativos a partir de março na sua prestação mensal: de acordo com a DECO-Proteste, quem tem crédito à habitação com taxa variável sabe que as prestações vão subir à medida que forem revistas, consoante o contrato tenha sido negociado com a Euribor a 6 ou a 12 meses, revelou a coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira da DECO, Natália Nunes, contactada pela ‘Multinews’.
As Taxas Euribor começaram a subir significativamente desde 4 de fevereiro de 2022, depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter admitido que poderia subir as taxas de juro diretoras, devido ao aumento da inflação na zona euro e ao início da guerra.
De acordo com os dados do Banco de Portugal, a Euribor a 12 meses já representa 43% do ‘stock’ de empréstimos para habitação própria permanente com taxa variável, enquanto a Euribor a 6 meses representa 32%.
A taxa Euribor a 12 meses avançou esta segunda-feira para um novo máximo desde dezembro de 2008 – fixou-se em 3,680%, mais 0,018 pontos. No entanto, não nos podemos esquecer que a média da Euribor, considerada para efeitos de revisão de um contrato de crédito de taxa variável (seja a 6 ou 12 meses), é a do mês anterior ao da assinatura do contrato de crédito.
Para ilustrar o impacto, consideremos como exemplo a revisão em março da prestação de um crédito à habitação com taxa variável indexada à Euribor para empréstimo de €150 mil, por 30 anos, com um spread de 1%:
Euribor a 6 meses: a prestação que vai pagar nos próximos seis meses atingirá os 720 euros, um aumento de cerca de 182 euros (+34%) face à última revisão em setembro de 2022;
Euribor a 12 meses: a prestação que vai pagar nos próximos 12 meses subirá para 750 euros, quase mais 290 euros (63%) em relação à prestação que pagou no último ano.
O impacto da subida das Euribor vai ser maior ou menor consoante o valor do capital que ainda está em dívida. O consumidor deve utilizar o simulador do crédito à habitação, disponibilizado pelo Banco de Portugal, para calcular o valor da prestação mensal e ajustar o seu orçamento familiar.
As famílias com rendimentos mais baixos e/ou taxas de esforço mais elevadas são as que sentem um maior impacto nos seus orçamentos familiares que já estão pressionados pela inflação.











