A expectativa de vida média de um soldado da linha de frente no leste da Ucrânia é de apenas quatro horas, garantiu um fuzileiro naval reformado dos Estados Unidos ao canal americano ‘ABC News’ que combate na Ucrânia, na região do Donbass. “Tem sido muito mau no terreno, com muitas baixas. A expectativa de vida é de cerca de quatro horas na linha da frente”, referiu Troy Offenbecker.
A cidade de Bakhmut, no leste da Ucrânia, tem sido palco de alguns dos mais sangrentos combates desde o início da invasão da Rússia, a 24 de fevereiro de 2022 – a batalha pelo controlo da cidade, que tinha uma população pré-guerra de cerca de 73 mil pessoas, é a mais longa do conflito.
Lutar em Bakhmut é tão mau, segundo Offenbecker, que se tornou conhecido como “moedor de carne” – no início de janeiro, um alto oficial militar dos Estados Unidos descreveu o combate dentro e ao redor da cidade, que parece ter um significado estratégico limitado tanto para a Rússia como para a Ucrânia, como “realmente severo e selvagem”.
“Estamos a falar de milhares e milhares de tiros de artilharia lançados entre os dois lados”, apontou o oficial. Bakhmut tem sido um dos principais alvos das forças ofensivas da Rússia, que incluem militares regulares e membros do grupo mercenário Wagner – o Kremlin está sob “pressão política crescente” para reivindicar algumas vitórias antes do aniversário da invasão, segundo alertou o Ministério de Defesa do Reino Unido, na mais recente atualização do conflito. “É provável que a Rússia afirme que Bakhmut foi capturada para se alinhar com o aniversário, independentemente da realidade no terreno”, referiu.
Bakhmut está sitiada pelas forças russas durante grande parte da guerra e, no final de 2022, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky garantiu que estava reduzida a “ruínas queimadas”. Segundo os serviços de inteligência ocidentais, a Rússia pode ter sofrido até 200 mil baixas ao longo do conflito, incluindo até 60 mil soldados mortos.
“Em algumas categorias, a Rússia perdeu mais de metade do seu equipamento militar nesta guerra e mais de um milhão dos russos mais brilhantes deixaram o país”, lembrou Victoria Nuland, subsecretária de Estado americana para assuntos políticos. “Então, o que está esta guerra a trazer para o russo médio? Nada”, finalizou.
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— Ukraine Will Win (@tomaburque) February 23, 2023








