O consumo de gás na União Europeia caiu quase 20% entre agosto e janeiro, segundo divulgou o Eurostat, superando a sua própria meta de reduzir o consumo de gás em 15%, que deveria ser cumprida até ao final de março – a meta foi estabelecida no último verão como uma ação preventiva contra o pior cenário, no qual a Rússia interrompia abruptamente o fornecimento de gás ao bloco em retaliação às sanções ocidentais.
O Kremlin acabou por fechar o gasoduto Nord Stream 1 com a Alemanha mas continuou a fornecer gás para a Europa através de outros gasodutos, embora em doses menores, e navios de GNL. Em julho último, os ministros europeus decidiram tornar voluntária a meta de 15% e só torná-la obrigatória em caso de escassez severa, possibilidade que o clima ameno, a diversificação de fornecedores e o armazenamento subterrâneo ajudaram a evitar.
No entanto, os números apresentados refletem que a necessidade de poupar dinheiro nas contas do gás era mais forte do que qualquer recomendação europeia ou nacional. Segundo o Eurostat, o consumo de gás na Europa caiu 19,3% no período indicado, em comparação com o consumo médio entre 2017 e 2022. As maiores economias foram registadas na Finlândia (-57,3%), Lituânia (–47,9%) e Suécia (–40,2%).
As reduções também foram consideráveis na Estónia, Letónia, Países Baixos, Luxemburgo, Roménia, Dinamarca, Croácia, Bulgária, Grécia, Hungria e Alemanha, todas a superar a marca de 19,3% do bloco. Portugal surge bastante perto da média europeia na redução do consumo de gás.
🛢️EU consumption of natural gas dropped by 19.3% in the period August 2022 – January 2023, compared with the averages for the same months between 2017 – 2022.
Consumption fell most in:
🇫🇮Finland (-57.3%)
🇱🇹Lithuania (-47.9%)
🇸🇪Sweden (-40.2%)➡️https://t.co/yPLxzLf7Wr pic.twitter.com/zbtTiVLndm
— EU_Eurostat (@EU_Eurostat) February 21, 2023
Espanha (-13,7%) e Eslovénia (-14,2%) ainda não atingiram a meta voluntária de 15%, embora tecnicamente ainda tenham até o final de março para fazê-lo. Por outro lado, Malta e a Eslováquia foram os dois únicos Estados-Membros onde o consumo de gás realmente aumentou.
As negociações no Title Transfer Facility (TTF), o principal hub da Europa, fecharam na segunda-feira passada a 49,87 euros por megawatt-hora, muito longe do recorde de 338 euros em meados de agosto, mas ainda excecionalmente elevado em comparação com os 17 euros em fevereiro de 2021.
A calma nos mercados de gás levou a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional a rever em alta as suas previsões económicas para a zona euro, afastando a ameaça de recessão.










