Crimeia volta a estar na mira das forças ucranianas: fragilidade da Rússia possibilita avanços

Há relatos de que “várias explosões foram ouvidas sobre as áreas onde se encontram as unidades militares russas”, segundo a página de Telegram Crimean Wind, onde é referido que os ataques ocorreram “por volta das 5 da manhã” e a explosão mais forte por volta das 6h15.

Beatriz Maio

A desorganização que o exército russo aparenta estar a enfrentar faz com que as tropas ucranianas estejam de novo a ponderar atacar a Crimeia, o que se comprovou na manhã de quinta-feira quando os russos foram atacados com um drone nesta região.

Ainda que a agressão na cidade portuária da Crimeia de Sevastopol tenha sido confirmada pelo governador da cidade, Mikhail Razvozhayev, nas redes sociais, não há indicação de que a Ucrânia seja responsável. Dois veículos aéreos não tripulados (UAV) foram “abatidos sobre o mar” e que “as nossas forças de defesa continuam a repelir o ataque”, escreveu Razvozhayev no Telegram.



Além destes, “vários” UAV foram abatidos no mesmo espaço aéreo, o que levou ao encerramento de estradas e ao interrompimento temporário dos serviços de ferry. Há relatos de que “várias explosões foram ouvidas sobre as áreas onde se encontram as unidades militares russas”, segundo a página de Telegram Crimean Wind, onde é referido que os ataques ocorreram “por volta das 5 da manhã” e a explosão mais forte por volta das 6h15.

Embora os residentes tenham relatado que na altura das explosões, “ouviu-se um lançamento de foguetão e a subsequente explosão estrondosa, da qual o vidro das janelas tremeu”, segundo a Newsweek, as autoridades militares russas e a Federação Russa ainda não se pronunciaram sobre os ataques alegadamente feitos pela Ucrânia.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky tinha já expressado o desejo de retomar a Crimeia, argumentando até que a guerra “terminará” exatamente nesta região. Já o líder russo Vladimir Putin prometeu não só manter o domínio da Crimeia, desde a sua anexação em 2014, como também dos quatro territórios ucranianos que anexou em setembro de 2022, nomeadamente Donetsk, Kherson, Luhansk e Zaporizhzhia.

Esta decisão, ainda que exposta num referendo, foi encarada como ‘uma farsa’ pela maioria da Assembleia Geral das Nações Unidas e pelos aliados ocidentais da Ucrânia. O secretário de Estado norte-americano Antony Blinken, por exemplo, mostrou-se hesitante com a tentativa da Ucrânia de recuperar o território anexado pela Rússia em 2014, ao defender que tal ação não “seria sensata neste momento”.

Também o Chefe do Estado-Maior General Mark Milley, partilha da mesma opinião, tendo considerado “muito, muito difícil” enviar as forças russas de todo o território ocupado por Moscovo na Ucrânia, incluindo a Crimeia.

A ofensiva militar russa começou dia 24 de fevereiro de 2022 na Ucrânia e a Rússia com o presidente da Rússia Vladimir Putin, a justificar com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para a segurança do seu país, ataque que foi condenado pela generalidade da comunidade internacional que tem respondido com sanções.

Mais de sete mil civis morreram e cerca de 12 mil ficaram feridos, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) que alerta para o facto de os números reais serem muito superiores.

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