É na zona da Valada do Tejo que se concentra a maior quantidade de químicos eternos (PFAS) em Portugal, no entanto a EPAL continua a utilizar a água desta região para consumo na região da Grande Lisboa.
A revelação sobre a poluição na Valada do Tejo foi feita no âmbito do projeto ‘Forever Polution’, de um consórcio europeu de jornalistas que identificou, pela primeira vez, quais são os locais com maiores concentrações de químicos tóxicos e nocivos para a saúde que permanecem ativos durante muito tempo, conhecidos como químicos eternos ou PFAS.
Foram identificados 17 000 locais contaminados com os PFAS, substâncias utilizadas para tornar superfícies antiaderentes, impermeáveis e resistentes, em produtos de consumo, espumas para combate a fogos ou para processos industriais de tratamento de resíduos, entre outras utilizações.
Segundo revelam os dados agora publicados, e citados pela SIC Notícias, a água do Tejo na zona da Valada está contaminada com 3200 nanogramas de PFAS por litro de água, já considerado. A pesca é cada vez mais escassa devido à poluição e os banhos estão proibidos. Ainda assim, a EPAL continua a utilizar esta água.
De acordo com a ProTEJO, os químicos são em maior parte provenientes de Espanha, já que não são produzidos em território nacional. A contaminação já verificada é irreversível.
EPAL garante que análises comprovam “a excelente qualidade da água” na região de Lisboa
A Empresa Portuguesa de Águas Livres (EPAL) garantiu hoje que o seu plano de controlo de qualidade cumpre os parâmetros definidos pela diretiva europeia e que as análises comprovam “a excelente qualidade da água” na região de Lisboa.
Nos últimos dias, surgiram reportagem em órgãos de comunicação que colocam em causa a qualidade da água fornecida pela EPAL.
Em comunicado enviado hoje à agência Lusa, a empresa que abastece a região de Lisboa realçou que “vigiar/monitorizar a qualidade da água em toda a extensão do sistema de abastecimento (…), desde os recursos hídricos utilizados até ao ponto de entrega ao consumidor, constitui um dos maiores compromissos da EPAL”.
Em concreto, a EPAL sublinhou que a pesquisa dos PFAS (compostos perfluoroalquilo e polifluoralquilo) está prevista na diretiva europeia relativa à qualidade da água destinada ao consumo humano e acrescentou que, no âmbito do seu Plano de Controlo da Qualidade da Água (PCQA), efetua “a pesquisa/monitorização sistemática dos 20 PFAS previstos” na diretiva.
A EPAL explicou ainda a qualidade da água fornecida ‘em alta’ aos municípios e distribuída aos consumidores diretos na cidade de Lisboa é assegurada “através da análise de mais de 25.000 amostras de água por ano”.
“Estas amostras são colhidas em cerca de 1.500 pontos de amostragem representativos de todo o sistema de abastecimento da empresa nas quais são realizadas mais de 300 mil análises para verificar o cumprimento dos requisitos legais aplicáveis, permitindo evidenciar a excelente qualidade da água fornecida pela empresa e o cumprimento da legislação em vigor, conferindo, assim, um selo de qualidade atribuído pela ERSAR [Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos] à água consumida por cerca de 3 milhões de pessoas”, frisou ainda a empresa na nota de imprensa.
*Com Lusa




