A Feira de Emprego, evento organizado pela Bolsa de Empregabilidade, esteve no Algarve, no passado dia 16, e em Lisboa, a 3 de março último – pelo Altice Arena estiveram mais de 90 empresas de hotelaria, restauração, animação turística e similiares, para captar talentos para o setor do turismo, apoiando os empregadores e os candidatos a construir carreira.
A última etapa do recrutamento vai decorrer no Porto, no próximo dia 29, pelo que foi oportunidade para a ‘Executive Digest’ conversar com António Marto, presidente da Associação Fórum Turismo e Fundador da Bolsa de Empregabilidade, e tomar o pulso à iniciativa.
1º Depois dos eventos realizados no Algarve e em Lisboa, o que esperar da feira de emprego a realizar-se no Porto?
Embora cada região, que acolhe individualmente este evento, se comporte de forma diferente, pois tem necessidades específicas e inerentes de contratação, as nossas expectativas para a Feira no Porto são bastante positivas. E temos dois motivos para isso: o sucesso da 1ª edição e a superação do número de inscritos no evento face ao ano passado.
2º Foi possível perceber maior impacto em 2023? Ou seja, maior número de visitantes, maior número de empresas, mais ofertas e mais contratações já realizadas este ano?
Sim, os números têm crescido de forma global. Notamo-lo sobretudo ao nível das empresas e candidatos que participam nos nossos eventos. Apesar de nos termos estreado este ano no Algarve, contámos com mais de 50 empresas e 800 candidatos presentes, entre os quais alunos de escolas superiores e profissionais da região do Algarve (que representaram aproximadamente 66% do público visitante) e profissionais portugueses e estrangeiros (que representam aproximadamente 34%). Em Lisboa, foram mais de 90 empresas que estiveram presentes a contratar e cerca de 4.500 candidatos que visitaram a feira à procura de oportunidades, com o mesmo perfil do Algarve, no entanto em maior escala.
Relativamente às contratações, é da gestão posterior entre os candidatos e as empresas, portanto não temos atualmente forma de aferir estes números, mas estamos confiantes que o sucesso destes eventos se reveja em mais oportunidades para o mercado.
3º No sector do turismo, em particular, todos os verões assistem-se a dificuldades e queixas das empresas em recrutar. É um fenómeno que se prevê igual para este ano?
O feedback que temos recebido das empresas é que existe uma grande necessidade de contratação para os períodos do verão, daí realizarmos as feiras no 1º trimestre do ano, para facilitarmos o processo de recrutamento das empresas.
4º Quantas ofertas de emprego vão estar disponíveis ao longo dos três eventos? E quantas já terão sido ocupadas, há esses dados?
As vagas disponibilizadas individualmente por empresa vão desde as 10 às 400 vagas. Sobre as que “já terão sido ocupadas”, não temos forma de apurar o resultado efetivo da contratação, uma vez que os processos de contratação pós-feiras de emprego são conduzidos por cada empresa, diretamente com os candidatos. No entanto, sabemos que até ao momento as empresas estão a analisar os currículos recolhidos e algumas a chamar para segundas entrevistas.
5º Se se mantiver ‘curto’, que soluções se apresentam ao setor para garantir poder ‘abrir portas’ no verão e o previsível aumento do fluxo de turistas? E no caso, não esquecer a Jornada Mundial da Juventude, que vai ‘tomar’ Lisboa em agosto.
As empresas cada vez mais se preparam para essa fase do ano, em que precisam responder à maior procura turística com mais mão de obra. E ainda bem, porque esse é um trabalho que tem de vir de trás, com melhores condições laborais para aliciar os trabalhadores, nomeadamente salários competitivos, uma gestão eficaz dos horários, com horas de descanso justas e equilibradas, e a aposta na formação interna e no crescimento profissional.
Há ainda outras soluções disponíveis no mercado. É inegável que Portugal está a receber fluxos migratórios internacionais, o que constitui certamente uma oportunidade de satisfazer as necessidades de contratação; salvaguardando, é claro, a legalidade dessas pessoas para trabalhar e as condições de trabalho das mesmas. Por isso, as empresas podem voltar-se para a mão de obra estrangeira, e também para a mão de obra local e flexível.
6º Quais são os setores específicos na área do turismo em que as empresas nacionais têm maior dificuldade em contratar?
Todas as funções base de hotelaria, restauração e f&b (serviços de alimentação), verificam maior carência de trabalhadores.
7º Quais são os maiores desafios que enfrentam as empresas do setor atualmente?
Se após a pandemia o receio era não voltar a ter os mesmos fluxos de clientes, o que não se verificou, agora que o sector já recuperou os resultados de 2019, um dos maiores desafios é a falta de recursos humanos para trabalhar. Em 2019, o sector do turismo empregava indiretamente aproximadamente 1,01 milhões de pessoas em Portugal. No ano de 2021, o turismo passou a empregar indiretamente cerca de 900 mil pessoas, de acordo com dados revelados pelo IPDT – Turismo e Consultoria. Por esse motivo, um dos maiores desafios que se verifica no Turismo é a necessidade urgente de voltar a encontrar os recursos perdidos, para que o nível de qualidade do serviço turístico não esteja em causa.
8º Sendo o emprego no sector do turismo muitas vezes sazonal, com um pico registado no verão, haverá soluções práticas, a nível do Governo, que pudesse ajudar a solucionar o problema?
A sazonalidade em Portugal pode representar a época alta de outro país, ou até mesmo de outra região dentro do nosso país, como a Madeira, que tem um nível de procura turística constante ao longo do ano, sempre com taxas de ocupação acima dos 80%, segundo dados do INE.
O Governo não é, nem pode ser o responsável pelos comportamentos empresariais. Mas pode, sim, estimular à criação de novas ideias entre empresas, instituições de ensino, formação e entidades públicas. Sugerimos que existam programas de recycling de competências; que o Turismo se torne num sector capaz de captar e dar oportunidade a pessoas que estão em situações em regime de desfavorecimento da sociedade; e, que se fomentem programas de intercâmbios internacionais para alunos ou profissionais vindos da CPLP e de outros países, para as épocas altas, de modo a obterem um título internacional no seu currículo e, com isso, conseguirem aumentar a sua valorização de marca pessoal.
Ao nível da oferta, também é importante as empresas e os negócios locais apostarem em atividades que possam ser desenvolvidas durante todo o ano, para assegurar um fluxo constante de turistas, quer seja através de eventos regionais, da valorização da gastronomia, cultura e tradições locais, da definição de um público-alvo para cada estação e/ou da oferta de promoções nas épocas baixas. Há muito que pode ser feito do lado das empresas, mas, claro, se houver incentivos por parte do Governo, tudo se torna mais fácil.
Para consultar as empresas que estarão presentes no evento e fazer a inscrição gratuita, clique aqui.














