Exportações globais de armas da Rússia caíram de forma acentuada nos últimos 5 anos: Ucrânia foi a 3ª maior importadora de armamento em 2022

Em causa estão as sanções ocidentais contra o Kremlin, assim como a própria necessidade de Moscovo de conservar armamento para o seu esforço de guerra na Ucrânia, que limitaram as vendas ao exterior

Francisco Laranjeira

A participação da Rússia nas exportações globais de armas caiu acentuadamente nos últimos cinco anos, segundo um relatório do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), publicado esta segunda-feira.

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Em causa estão as sanções ocidentais contra o Kremlin, assim como a própria necessidade de Moscovo de conservar armamento para o seu esforço de guerra na Ucrânia, que limitaram as vendas ao exterior.

Assim, a participação da Rússia nas exportações globais de armas caiu de 22% no período 2013-17 para 16% em 2018-22. Já os Estados Unidos permaneceram como líderes globais em exportações de armas, com a sua participação a subir de 33% para 40% no mesmo período de cinco anos.

“É provável que a invasão da Ucrânia limite ainda mais as exportações de armas da Rússia”, disse Pieter Wezeman, investigador sénior do SIPRI. “Isso ocorre porque a Rússia vai dar prioridade ao fornecimento das suas forças armadas, assim como a procura de outros estados vai permanecer baixa devido às sanções comerciais à Rússia e à crescente pressão dos EUA e seus aliados para não comprar armas russas”, acrescentou.

O SIPRI observou que as exportações de armas em todo o mundo há muito que são dominadas pelos Estados Unidos e pela Rússia, com os dois países a ocuparem o primeiro e o segundo lugar nas últimas três décadas. Mas a diferença da Rússia para a França, o terceiro maior exportador, diminuiu, com a participação de Paris a subir de 7,1% para 11%.

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“A França está a ganhar uma fatia maior do mercado global de armas à medida que as exportações de armas russas diminuem, como visto na Índia, por exemplo”, disse Wezeman. “É provável que isso continue, pois até o final de 2022, a França tinha muito mais pedidos pendentes de exportação de armas do que a Rússia.”

As exportações de armas dos EUA aumentaram 14% no período de 2013-17 a 2018-22, enquanto as exportações da Rússia caíram 31%. As exportações da França aumentaram 44%, principalmente para países da Ásia, Oceânia e Médio Oriente.

A Índia recebeu 30% das armas francesas nos últimos cinco anos, superando os Estados Unidos como o segundo maior fornecedor de armamento para Nova Delhi.

A Rússia continuou a ser o maior fornecedor de exportações de armas para a Índia e conseguiu aumentar as vendas para duas grandes nações – China em 39% e Egito em 44% durante o período.

A Ucrânia tornou-se o terceiro maior importador de armas globalmente em 2022, enquanto Kiev continua a lutar contra a invasão em grande escala das forças russas. “De 1991 até ao final de 2021, a Ucrânia importou poucas armas importantes”, pôde ler-se no relatório. “Como resultado da ajuda militar dos EUA e de muitos estados europeus após a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, a Ucrânia tornou-se o terceiro maior importador de grandes armas durante 2022 [depois do Qatar e da Índia].”

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O SIPRI, um instituto internacional independente com foco na pesquisa de conflitos, armamentos, controlo de armas e desarmamento, foi criado em 1966.

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