Comissão Europeia diz que empresas têm “espaço para assumir aumentos salariais”

O disparar da inflação fez com que se registasse uma perda significativa do poder de compra, estando os salários cada vez mais curtos para dar resposta a sucessivos aumentos em diversos setores. No entanto, a Comissão Europeia considera que as empresas têm margem para subir salários.

André Manuel Mendes

O disparar da inflação fez com que se registasse uma perda significativa do poder de compra, estando os salários cada vez mais curtos para dar resposta a sucessivos aumentos em diversos setores. No entanto, a Comissão Europeia considera que as empresas têm margem para subir salários.

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“A evolução dos lucros empresariais sugere que as empresas têm algum espaço para assumir aumentos salariais”, disse a Comissão Europeia num documento a que o ‘El Pais’ teve acesso.

Os lucros corporativos desempenham muitas vezes um papel “amortecedor” contra a inflação, podendo atenuar “pressões de preços que causaram perdas de produtividade e aumentaram os custos trabalhistas”, explicam os economistas do Departamento de Economia e Finanças da Comissão Europeia no documento.

“Durante a pandemia, porém, os lucros não amorteceram o aumento dos custos trabalhistas”, tendo esse papel cabido aos Governos, através de apoios públicos como a adoção de novas políticas fiscais, moratórias, subsídios, entre outros.

Depois da pandemia veio a escalada inflacionária, mas com a pandemia também houve uma mudança de padrão nos consumidores, o que “pode ter favorecido o aumento das margens de lucro em alguns setores”, revela o documento.

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“Isso sugere que as empresas têm alguma margem de manobra para acomodar o aumento dos salários. Olhando para o futuro, o abrandamento da atividade e o progressivo esgotamento do excesso de poupança privada acumulada durante a pandemia poderão conduzir a um regresso aos padrões observados no passado, ou seja, os lucros a desempenharem um papel amortecedor”, pode ler-se na nota, de acordo com o ‘El Pais’.

A mesma fote revela que, até ao terceiro trimestre do ano passado, registou-se um aumento anual de 2,9% nas remunerações acordadas em convenções coletivas e de 4% nas remunerações por trabalhador. No entanto, a inflação cresceu em média 8,4% nos 12 meses.

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