A ideia de uma semana de trabalho de quatro dias está a ganhar força nos Estados Unidos e no Reino Unido depois de diversos estudos terem apontado que jornadas de trabalho mais curtas levam a um menor desgaste e maior retenção de funcionários sem com isso prejudicar a produtividade.
No entanto, a Coreia do Sul avançou com a intenção de um rumo alternativo. Na passada segunda-feira, o Governo revelou oficialmente os seus planos de reformar os limites máximos da jornada de trabalho do país, propostos pela primeira vez pelo presidente Yoon Suk-Yeol, em dezembro último.
Segundo a lei aprovada em 2018, os trabalhadores sul-coreanos podem trabalhar no máximo 52 horas por semana, combinando a semana de trabalho padrão de 40 horas, com 12 horas extras adicionais: quem não cumprir o limite corre o risco de pagar multa ou até prisão.
No novo esquema, os empregadores e trabalhadores podem decidir estabelecer as horas extras mensalmente, trimestralmente ou mesmo anualmente: o Governo pretende expandir a quantidade máxima de horas por semana para 29, o que significa uma semana de trabalho máxima de 69 horas.
Segundo revelou o Governo, o novo esquema permite maior flexibilidade e expressou a esperança de que os trabalhadores cumpram menos horas no geral. Não está claro a forma como os trabalhadores sul-coreanos irão tirar proveito da flexibilidade proposta: apenas 40% dos funcionários locais utilizaram todas as suas férias anuais em 2020, segundo apontou um relatório governamental recente – o funcionário coreano médio trabalhou um total de 1.915 horas em 2021, quase 200 horas acima da média mundial, segundo dados da OCDE.
A decisão do Governo sul-coreano chega em contraciclo à realidade de outros países: um programa-piloto, que abrange 2.900 funcionários no Reino Unido, relatou melhorias significativas na saúde e retenção de funcionários sem perda de produtividade. Ao longo de 6 meses, o programa, que oferecia pagamento integral aos funcionários que cumpriam apenas 80% das suas horas regulares, relatou uma queda de 65% nos dias de licença médica e uma redução de 57% na probabilidade de um funcionário pedir demissão.














