A pandemia trouxe muitas coisas negativas ao mundo do trabalho, como a distância entre colegas ou as formações à distância, porém existe uma vantagem que ninguém pode negar: a banalização do teletrabalho.
De acordo com um novo estudo do “think tank” europeu Bruegel, sobre a utilização do teletrabalho e as suas desigualdades na União Europeia (UE) “devido à pandemia, a diferença entre os trabalhadores com filhos no seu agregado familiar e os que não têm, desapareceu completamente”.
Os dados utilizados neste estudo são do inquérito ao emprego do Eurostat onde se acrescentam indicadores próprios com base na literatura científica. Assim, a análise clarifica que neste momento a nível europeu e nacional a diferença entre os trabalhadores que potencialmente podiam beneficiar do teletrabalho e os que de facto usufruem é praticamente inexistente entre pessoas que têm filhos e não têm filhos.
No caso português, antes da pandemia (em 2012), o potencial de teletrabalho em Portugal era de 30%, ou seja quase um terço dos trabalhadores podia desempenhar as suas funções de forma remota, sendo que só 13% o fazia. Destes, eram mais os trabalhadores com filhos a faze-lo.
Quase uma década depois, a diferença reduziu-se. Em 2021, eram 13% os trabalhadores que, potencialmente podendo, não estavam em teletrabalho. Uma proporção que é semelhante quando se observa os trabalhadores com filhos (13,1%) e sem filhos (13,8%).
Os dados mostram ainda que em Portugal, 39% dos trabalhadores têm condições para, tecnicamente, realizar funções de forma remotamente. No entanto, apenas 26% dos trabalhadores o fazem.
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