O Governo britânico tem uma cultura de “gastos pródigos” em Whitehall – centro administrativo do Reino Unido e sede do Executivo – desperdiçados em itens de luxo, denunciou o Partido Trabalhista, liderado por Keir Starmer, após uma análise ao uso de cartões de compras governamentais: em particular, as refeições e bebidas alcoólicas, incluindo quase 425 mil euros por funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em 2021, sob o título ‘Restaurantes e bares”, entretenimento e evidências de gastos excessivos no final do ano para esgotar os orçamentos.
Segundo Angela Rayner, vice-líder trabalhista, a análise revelou um “catálogo escandaloso de desperdício”, salientando que os trabalhistas pretendem criar um novo regulador (‘Office of Value for Money’) para monitorizar os gastos do serviço público. Entre os gastos excessivos estão relatados hotéis de cinco estrelas, restaurantes caros, móveis de luxo, dias de folga e compra de álcool.
Exemplos? O Tesouro, liderado então por Rishi Sunak, atual primeiro-ministro do Reino Unido, gastou 3.641 euros em quartos no Hotel Danieli, de cinco estrelas, em Veneza para o então chanceler e outros 11 funcionários para uma reunião do G20 em 2021. Nesse mesmo ano, o gabinete de Sunak comprou 13 fotografias de arte da The Tate Gallery por 3.840 euros, apesar de ter a coleção de arte do Governo para escolher.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros gastou 8.169 euros para a então secretária Liz Truss num parte de diversões do porto de Sydney no início de 2022, além de declarações erróneas sobre milhares de libras gastas em álcool como “equipamento de computador”. Liz Truss e respetiva comitiva gastaram 1.633 euros num almoço e jantar em dois restaurantes em Jacarta, em novembro de 2021, durante uma visita oficial a Jacarta.
A publicação do dossier completo ficou agendada para esta segunda-feira. “Seja como chanceler ou primeiro-ministro, Rishi Sunak falhou em controlar a cultura de gastos generosos em Whitehall sob o seu comando”, acusou Angela Rayner. “As revelações chocantes levantam a tampa de um catálogo escandaloso de desperdício, com o dinheiro dos contribuintes a ser desperdiçado em todas as partes do Governo, enquanto no resto do país as famílias estão preocupadas com a possibilidade de não ter como pagar as despesas nas compras semanais ou cobrir as contas.”
As regras sobre cartões de compras governamentais foram fortemente relaxadas no início da pandemia da Covid-19, permitindo que os titulares de cartões gastassem até 22.640 euros por transação e 113 mil euros por mês. Cerca de 14 departamentos gastaram pelo menos 164,69 milhões de euros nos cartões de compras em 2021.














