Berardo despede-se da sua coleção de arte moderna: vai nascer um ‘novo’ museu no CCB em 2023

Último evento do Museu Coleção Berardo foi na passada terça-feira, no lançamento de um novo catálogo, de 860 páginas, dedicado à Coleção Berardo – a cerimónia pretendeu comemorar os 15 anos do museu, nas vésperas de este passar a ser gerido pelo CCB

Revista de Imprensa

Joe Berardo despediu-se da ‘sua’ coleção: a partir de 31 de dezembro, o Museu Coleção Berardo vai desaparecer para dar lugar, no Centro Cultural de Belém, a um novo museu, ainda sem nome oficial, no qual será exibida as peças de arte, arrestadas como garantia no processo movido ao empresário por um consórcio de três bancos.

O último evento do Museu Coleção Berardo foi na passada terça-feira, no lançamento de um novo catálogo, de 860 páginas, dedicado à Coleção Berardo – a cerimónia pretendeu comemorar os 15 anos do museu, nas vésperas de este passar a ser gerido pelo CCB, depois de Pedro Adão e Silva, ministro da Cultura, ter denunciado o protocolo de 2006 que deu origem ao museu.



O processo de transferência da coleção decorre ainda nos tribunais – há quase 10 anos que o consórcio de credores, formado pela Caixa Geral de Depósitos, Millennium BCP e Novo Banco, procura encontrar uma solução para a dívida do empresário madeirense de quase mil milhões de euros, o que levou em 2019 ao arresto da sua coleção de arte moderna e contemporânea.

Segundo revelou o jornal ‘Público’ esta quarta-feira, a dissolução do protocolo vai mesmo concretizar-se a 1 de janeiro, depois de Joe Berardo e a Associação Coleção Berardo terem desistido do recurso, a 29 de novembro último, que sustentou a tese de que a denúncia do acordo pelo ministro da Cultura não tinha cumprido todos os requisitos legais e portanto deveria ser considerada inválida.

No entanto, a Associação Coleção Berardo entrou com uma ação no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, em outubro último, no qual pediu a revogação do arresto judicial das obras de arte, alegando que o seu valor era muito superior à dívida de 962 milhões de euros reclamadas pelos três bancos – o galerista Gary Nader, em setembro, avaliou a coleção em 1,5 mil milhões de euros, um valor muito acima dos 316 milhões fixados pela leiloeira Christie’s em 2006. Se o tribunal vier a dar razão ao requerimento, fica comprometida a exposição das obras da Coleção Berardo no novo museu de arte contemporânea no CCB.

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