A segurança do controlo de tráfego aéreo nacional está comprometida, segundo revelou um relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF). Durante mais de 100 páginas, o relatório revela que o serviço prestado pela NAV Portugal, a ANA – Aeroportos de Portugal e a supervisão da Autoridade Nacional da Aviação Civil, é colocado em questão pela investigação aeronáutica, que detetou controladores em presença fictícia, com regras aleatórias ou a verem televisão.
Dois incidentes, um no Porto e outro em Ponta Delgada, não resultaram em situações graves “devido a acasos excecionais”, apontou o relatório, garantiu esta sexta-feira o jornal ‘Expresso’: em ambos os casos só havia um controlador na torre, quando deviam estar presentes cinco e três, respetivamente. O relatório apontou que nestes casos foram assinadas presenças fictícias no local de trabalho, depois remuneradas.
Na Invicta, o controlador “estava na posição há aproximadamente quatro horas sem terem sido observados os tempos de descanso obrigatórios; o quarto membro da equipa, embora na escala de serviço, foi dispensado pelo controlador (supervisor) sob a sua prerrogativa e a premissa de que ao residir nas proximidades, poderia, se necessário, ser chamado a qualquer momento”, denunciou o relatório. Já nos Açores, “a controladora, sozinha uma vez que tinha dispensado um elemento e o outro gozava o seu período de descanso, informou a investigação que estava ocupada a atualizar o ATIS (um sistema informático de informação), a analisar reservas de espaço aéreo, etc. e cada vez mais preocupada com duas aeronaves com trajetórias de aproximação convergentes, esquecendo-se de sinalizar que a pista estava ocupada pela equipa de manutenção e o seu veículo.”
O relatório denunciou práticas “sistémicas” e “arranjos de conveniência para todos os envolvidos”, sublinhando que “os registos de posição foram manipulados num sistema que foi configurado para permitir tal prática”. “Tais registos mostraram um cumprimento impecável dos períodos máximos de serviço, dos intervalos, bem como da assiduidade e pontualidade, que não correspondiam à realidade”, acusou o relatório.
Os investigadores apontaram ainda que o “o controlo de tráfego aéreo é uma atividade crítica de segurança”, pelo que a atenção tem de ser máxima. No entanto, no Porto, “o controlador não segregou o telemóvel e existia uma TV na torre para ajudar a passar o tempo”. Os elementos de distração na sala de controlo são comuns nos vários aeroportos, e vão desde os telemóveis pessoais e TV a micro-ondas e máquina de café, como num espaço de convívio.





