Perigo na cozinha: Estudo mostra que ingrediente de detergentes lava-loiças tem efeito tóxico no organismo

Segundo os investigadores há risco de estes químicos dos detergentes acabarem no intestino humano, na próxima vez que os utensílios, pratos e talheres forem utilizados.

Pedro Gonçalves

A máquina de lavar loiça pode revelar-se um risco para a saúde. Segundo um estudo do Instituto Suíço para a Investigação de Alergias e Asma, recentemente publicado na revista científica ‘Journal of Allergy and Clinical Immunology’, foi descoberto que um ingrediente em detergentes e cápsulas para máquinas de lavar loiça tem um efeito tóxico no organismo humano, particularmente no trato intestinal.

Segundo os investigadores há risco de estes químicos dos detergentes acabarem no intestino humano, na próxima vez que os utensílios, pratos e talheres forem utilizados.

Tipicamente uma máquina de lavar loiça comercial envolve água quente e detergente a funcionar em ciclos de 60 segundos a uma pressão elevada. Depois, segue-se ciclo de 60 segundos, de água e agente abrilhantador. “O que é especialmente alarmante é que, em muitos aparelhos, não há um ciclo de lavagem adicional que remova os agentes abrilhantadores”, alertam os cientistas.

Assim, os ingredientes potencialmente tóxicos de detergentes e abrilhantadores permanecem nos pratos e talheres enquanto estes secam na máquina. Quando voltam a ser usados “este resíduo químico seco pode facilmente acabar no trato intestinal”.

Os investigadores analisaram em particular os efeitos que componentes de detergentes comerciais e abrilhantadores, bem como de cápsulas de detergente, têm na barreira epitelial do intestino, uma barreira de células do trato intestinal que controla o que entra ou não o organismo.

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Um problema ou defeito nesta barreira está normalmente associado a doenças como alergias alimentares, gastrite, diabetes, obesidade, cirrose hepática, artrite reumatoide, esclerose múltipla, problemas do espectro do autismo, depressão crónica ou Alzheimer. Muitos aditivos ou químicos encontrados na vida quotidiana afetam a barreira intestinal em questão.

“Teorizamos que barreiras epiteliais defeituosas tinham um papel em desencadear cerca der dois mil milhões de casos de doenças crónicas”, estabelecem os cientistas, que implantaram microchips em organoides intestinais humanos e células do intestino.

Doses elevadas ou concentrações altas de abrilhantadores resultaram na morte de células epiteliais intestinais, ao passo que concentrações ou doses mais baixas tornavam esta barreira protetora mais permeável. Verificou-se também que os químicos desencadeavam processos inflamatórios.

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A análise revelou que os culpados são componentes de detergentes e abrilhantadores, álcoois etoxilados, que causavam este efeito. “O resultado que observámos poderá resultar na destruição do revestimento epitelial do intestino, e desencadear o surgimento de mais doenças crónicas”, alertam os investigadores, que defendem a importância de educar o público para estar alerta para este potencial risco “já que os álcoois etoxilados são habitualmente usados em detergentes comerciais”.

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