Rússia alerta Ocidente: “O inverno está apenas a começar”. Kremlin não reconhece preço máximo para o petróleo

O vice-presidente russo do Conselho de Segurança Dmitry Medvedev recordou hoje o Ocidente de que “o inverno está apenas a começar”, no dia em que entra em vigor o limite de preço do petróleo russo.

Beatriz Maio

O vice-presidente russo do Conselho de Segurança Dmitry Medvedev recordou hoje o Ocidente de que “o inverno está apenas a começar”, no dia em que entra em vigor o limite de preço do petróleo russo, definido em 60 dólares.

Medvedev defende que esta medida estabelecida pelo G7 e pela União Europeia, de forma a cortar recursos ao Kremlin, “não é boa para os consumidores”, aconselhando a que se abasteçam de aguardente, cobertores e aquecedores de água, escreveu na sua conta de Telegram.



Para o vice-presidente russo do Conselho de Segurança, as tentativas de regular os preços levam frequentemente ao desaparecimento do produto ou a um aumento do seu custo. “Ninguém anulou a lei dos preços”, frisou ao argumentar que “o mesmo vai acontecer com o petróleo”.

O antigo presidente russo ironizou a situação mencionando que o recorda um “grupo de burgueses europeus bêbados” que decidem nadar em água gelada, razão pela qual alguns morrem afogados.

O Kremlin esclareceu, esta segunda-feira, que não reconhece um preço máximo para o seu petróleo e divulgou que está a preparar uma resposta quanto à decisão da União Europeia e do G7. Anteriormente, o governo russo anunciou que não iria fornecer petróleo bruto a países que imponham restrições ao preço devido à invasão russa na Ucrânia.

Na Ucrânia, o abastecimento de água e eletricidade foi cortado na região de Odessa bem como noutras cidades após uma nova vaga de ataques russos a infraestruturas e civis, o que resultou em dois mortos em Zaporíjia, onde se encontra a maior central nuclear do país e vários edifícios foram destruídos por explosões, de acordo com o site de notícias ucraniano Ukrinform.

A empresa estatal de eletricidade na Ucrânia Ukrenergo informou que os mísseis russos atingiram vários pontos da sua rede e, como tal, teria de fazer cortes de emergência para estabilizar o fornecimento.

Os ataques deixaram tanto a cidade portuária como a cidade industrial de Kryvyi Rih sem eletricidade e aquecimento, enquanto em Mykolaiv houve um corte de energia. Também o funcionamento das estações de bombeamento à volta da cidade foi afetado devido à interrupção de todos os serviços, relatou a Câmara Municipal de Odessa.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas, mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para os países europeus, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa, justificada pelo presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia, foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

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