Diversos sindicatos de uma variedade de setores juntaram-se à greve convocada pela Frente comum para esta sexta-feira, dia 18 de novembro. É expectável que muitos serviços públicos sejam afetados pela paralisação, com alguns sindicatos a apontarem que alguns poderão estar completamente encerrados. Escolas e centros de saúde fechados, consultas e exames médicos cancelados, recolha de lixo e limpeza urbana a ‘meio-gás’: A Multinews falou com vários representantes sindicais e traça-lhe o cenário provável a ser vivido no dia de greve.
“Grande maioria das escolas encerradas”, diz Fenprof
Mário Nogueira, da Fenprof, relata à Multinews que é esperada “uma adesão muito significativa” dos professores, tendo em conta o “elevado nível de indignação dos docentes”. O líder da estrutura sindical adianta que a grande mobilização esperada para a greve é “provavelmente difícil de aferir no próprio dia, pois prevê-se que a grande maioria das escolas estejam encerradas”. Por isso, se tem filhos em idade escolar, saiba que é provável que os mais novos não tenham aulas na sexta-feira.
Consultas, exames, cirurgias e serviços hospitalares afetados. Centros de saúde podem fechar
À Multinews, Noel Carvalho, líder sindical da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), diz que foi feito um pré-aviso de greve “para que todos os afetados pudessem tomar medidas”, ainda que a adesão esperada “não será nos mesmo moldes de greves ‘mais específicas’ dos médicos”. No entanto, o dirigente diz que “podem haver surpresas” até porque “há muito descontentamento entre os profissionais do setor”.
O dirigente afirma que é provável que haja muitos serviços e valências nos hospitais afetados, consultas e exames cancelados, ou centros de saúde encerrados. “Faz parte do razoável”, afirma e explica: “Pode haver problemas, até porque no SNS, como sabemos, funciona tudo no limite e sem qualquer margem, a mínima disrupção, como é o caso, há efeitos”.
“Consultas, procedimentos cirúrgicos, todo o outro tipo de atividades sob as quais não incidam serviços mínimos, como é o caso de tratamentos de quimioterapia ou serviços de urgências. De resto, não há margem para esse trabalho”, adianta o responsável.
Posição semelhante tem Guadalupe Simões do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP). A estrutura convocou greve para os dias 17, 22 e 23 de novembro, tendo-se juntado ao protesto da Frente Comum. Para dia 18, a responsável garante que “os constrangimentos serão ainda maiores” do que nos outros dias de paralisação e admite que “os centros de saúde poderão estar fechados”. Para além disso, e também nos outros dias de paralisação os serviços do SNS mais afetados serão “os cuidados de saúde primários”, “consultas e exames”.
Efeitos da greve esperados na recolha de lixo, limpeza das ruas, serviços administrativos e bombeiros
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional (STAL) também se juntou à greve convocada pela Frente Comum e, segundo o presidente desta estrutura, José Miranda Correia, é esperada “uma mobilização grande” de trabalhadores. “Temos notado maior adesão do que o habitual”, relata à Multinews.
“Prevê-se que, logo na noite de dia 17 haja condicionamentos nos serviços de recolha de resíduos urbanos, higiene e limpeza das ruas, transportes, serviços operacionais e alguns serviços administrativos dos municípios. Apontamos para uma adesão entre 40 e 60%”, explica José Miranda Correia, que admite “algumas dificuldades para a população” em todo o território nacional.
Por seu lado, Vítor Reis, dirigente sindical do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML) diz que as “perspetivas de adesão são boas, em especial as áreas operacionais, onde têm maior visibilidade e causa mais efeitos”. “Espera-se que os serviços de higiene urbana, Sapadores Bombeiros, oficinas de reparação mecânicas e vários serviços da autarquia sejam afetados”, relata sobre a situação expectável em Lisboa.
Transportes: Atenção se vai usar comboios ou o Metro Sul do Tejo
Se costuma usar transportes, saiba que a Carris ou o Metro de Lisboa não serão afetados, assim como todas as empresas de transporte privadas. Já nos comboios a história será outra: A Infraestruturas de Portugal (IP) alertou esta quinta-feira para “penalizações ou eventuais supressões de comboios” entre sexta-feira e 29 de novembro, devido à greve marcada na empresa por várias organizações sindicais.
Também os trabalhadores do Metro Sul do Tejo estão em greve até 19 de novembro, pelo que se preveem “fortes perturbações” no serviço.
Tribunais e julgamentos com constrangimentos
À semelhança de outras greves, é expectável a adesão de funcionários judiciais à greve, pelo que são esperadas perturbações no funcionamento dos trâmites judiciais, bem como poderão haver sessões de julgamentos canceladas e outros serviços com perturbações de funcionamento.
Serviços Sociais pouco afetados
Segundo relata à Multinews fonte da Associação de Profissionais do Serviço Social (APSS), não será expectável que os serviços de assistência social sejam “particularmente afetados” pela greve de dia 18 de novembro. Esta estrutura adianta que está a preparar uma concentração para o dia 24 de novembro, onde é esperada maior mobilização.
Repartições de Finanças e outros serviços estarão em funcionamento
Contactado pela Multinews, o Sindicato dos Trabalhadores de Impostos (STI) recorda que não convocou pré-aviso de greve, mas que a estrutura está “solidária” com a greve. Prevê-se pouca adesão, à semelhança de outras greves não convocadas especificamente pelo STI, pelo que não são esperadas grandes perturbações nos serviços de Finanças e na Autoridade Tributária e Aduaneira.








