Jovens ativistas ambientais detidos após colarem-se ao chão do Ministério da Economia

Grupo estava a bloquear a entrada daquele Ministério, tutelado por António Costa Silva.

Pedro Gonçalves

Um grupo de jovens ativistas ambientais colou as mãos ao chão do Ministério da Economia, em Lisboa, e bloqueou a entrada no edifício. Cinco jovens do grupo acabaram por ser detidos pela PSP, pelo crime de desobediência.

Esta ação de protesto acontece na mesma altura em que o ministro da Economia, António Costa Silva, esteve reunido com representantes dos ativistas ambientais, na sequência de uma série de protestos do movimento ‘Fim ao fóssil: Ocupa!’, que nos últimos dois dias ocupou o Liceu Camões, em Lisboa, e exige a demissão do governante, que é acusado pelos jovens de ser apoiante dos combustíveis fósseis, devido à sua ligação no passado à petrolífera Partex.



No final do encontro com estes jovens, António Costa e Silva disse que “estava preparado para ouvir e ouviu” as propostas do grupo, mas que no entanto tudo o que lhe chegou foram pedidos de demissão.

O governante afirmou que não iria chamar a polícia, e pedir às autoridades que retirem os jovens da entrada do edifício, esperando que todos “atuem com lisura”, apelando a calma para que o protesto possa terminar.

Dezenas de alunos em protesto junto à Faculdade de Letras “solidários” com ativistas detidos
Cerca de meia centena de estudantes solidários com os alunos da Faculdade de Letras detidos na sexta-feira protestaram em frente à instituição contra a decisão do diretor, que consideram inaceitável.

“Tamen, estás a ouvir? temos direito a resistir”, “Alunos ignorados são estudantes revoltados” ou “Sem estudantes, não és nada, mostra a cara na entrada” eram algumas das mensagens cantadas em coro por dezenas de alunos concentrados à entrada da Faculdade de Letras.

O protesto foi organizado por um grupo de alunos da faculdade em solidariedade com os quatro ativistas detidos pela PSP, na noite de sexta-feira, por recusarem a ordem de sair das instalações, onde três deles chegaram mesmo a colar as mãos ao chão, após uma semana de ocupação, que se repetiu por várias escolas em protesto contra os combustíveis fósseis.

Iara Sobral, como os outros organizadores, não participou na ocupação, mas não ficou indiferente à decisão do diretor, que o próprio Miguel Tamen reconheceu ter “apenas três ou quatro precedentes na escola nos últimos cinquenta anos”.

Não pedem, de forma perentória, a demissão do responsável, mas Iara Sobral disse que o diretor já não tem condições para se manter no cargo e pede que, pelo menos, venha a público assumir a responsabilidade, depois de ter enviado uma nota interna em que sublinha que a faculdade, como comunidade autónoma, não pode resolver reivindicações dos ativistas.

Ana Carvalho foi uma das detidas na sexta-feira e quis também estar presente no protesto. Apesar de lamentar que tenha sido necessária uma situação extrema para que mais alunos apoiassem a luta pelo clima, agradeceu o apoio dos colegas.

Após mais de meia hora de protesto, alguns manifestantes acabaram por desmobilizar quando os ativistas do movimento “Fim ao Fóssil: Ocupa!” se retiraram, a caminho da manifestação junto ao Ministério da Economia e do Mar, mas outros 20 mantiveram-se junto à entrada da faculdade, repetindo as mesmas mensagens, sob o olhar de oito agentes da PSP.

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