Esta sexta-feira reúnem-se peritos e políticos para fazer um ponto da situação Covid-19 no Infarmed, em Lisboa, de forma a analisar como Portugal irá lidar com o coronavírus este inverno. A Direção-Geral da Saúde (DGS) sugere que este ano “a vigilância eficaz é central para uma resposta eficaz”, contudo não aponta para que sejam tomadas novas medidas de contenção.
Na conferência, o professor Henrique Barros, membro do Instituto de Saúde Pública do Porto, salientou que são mais necessárias “redes sob sentinela, médicos, unidades de saúde, hospitais e unidades de cuidados intensivos”. O intuito é “racionar o nosso esforço humano e económico”, sem que se “vá a toda a gente nem a todo o lado”, explicou acrescentando que se deve identificar bem os locais, as pessoas, a informação e ter a capacidade de analisá-la.
Reforçou que “a pandemia não será resolvida se apenas nos centrarmos na epidemia” ao dar o exemplo da China e da sua política de ‘Zero casos Covid’ o que, a seu ver “não tem impedido os problemas a que temos assistido”.
Perante o excesso de mortalidade de Portugal nos últimos anos, o especialista aconselha a olhar para os componentes que o motivaram. “Há excesso de mortes”, frisou informando que o nosso país, em 2020, teve um excesso de cerca de 70 mil casos associados à Covid-19 e cinco mil por todas as outras causas. Ao debruçar-se sobre estes números sugeriu que “os diagnósticos não foram bem feitos e muitos poderiam ser casos não identificados na altura”.
Este inverno a resposta de Portugal ao vírus da Covid-19 será mais ponderada após as lições aprendidas. A DGS ressalta que continuarão a existir infeções respiratórias agudas e que a proporção de episódios de gripe “irá voltar ao que sempre foi”. Assim, o coronavírus será “agora visto como integrando todas as outras infeções respiratórias”, esclareceu o perito ressaltando que “a pandemia permanece. Foi inequivocamente exagerado o anúncio da sua morte”.
Portugal registou, entre 25 e 31 de outubro, 5.920 infeções pelo coronavírus SARS-CoV-2, 53 mortes associadas à covid-19 e um novo aumento dos internamentos, indicou o mais recente boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).



