Um ambiente acolhedor, uma playlist de música variada e um comprimido alucinogénio. Conheça a nova terapia para a depressão

As novas drogas psicadélicas estão a revolucionar o tratamento de doenças mentais. Embora o novo tratamento para a depressão seja feito no hospital, o ambiente é acolhedor, os pacientes têm uma cama confortável, uma máscara de olhos, auriculares e um comprimido. Nada é ao acaso, nem mesmo a música que fará parte do processo.

Beatriz Maio

As novas drogas psicadélicas estão a revolucionar o tratamento de doenças mentais. Embora o novo tratamento para a depressão seja feito no hospital, o ambiente é acolhedor, os pacientes têm uma cama confortável, uma máscara de olhos, auriculares e um comprimido. Nada é ao acaso, nem mesmo a música que fará parte do processo.

Nove pacientes espanhóis participaram neste que é, de acordo com o jornal espanhol ABC, o maior ensaio clínico de um medicamento psicadélico contra a depressão, experiência que confiou na psilocibina como ingrediente ativo, uma variante sintética de cogumelos mágicos com propriedades alucinógenas.



Os terapeutas, que acompanham os pacientes durante as cinco horas em que decorre a experiência, pretendem que os voluntários se esqueçam de que estão no hospital, porém sempre com o devido controlo clínico.

O tratamento, que ocorreu no Hospital geral em Sant Boi de Llobregat, em Barcelona, Espanha, contou com quadros decorados com plantas, temperatura amena e músicas conhecidas de Arvo Pärt, como ‘Spiegel in Spiegel’ (Espelho em Espelho). A playlist que os utentes vão ouvir através dos auscultadores foi cuidadosamente escolhida de forma a que passem por diferentes estados emocionais, como relaxamento, melancolia ou excitação.

Assim, após a toma do comprimido, os pacientes deitam-se, fecham os olhos e, a ouvir melodias tocadas com piano e violoncelo, imergem numa espécie de sonho em que estão conscientes e experienciam várias sensações.

Este tratamento fez parte de uma investigação internacional que contou com 233 pacientes com depressão, todos resistentes a antidepressivos. Aos nove foi disponibilizada a mesma lista de músicas bem como um ambiente semelhante, porém as doses administradas foram diferentes, a alguns foi dado um comprimido de 1 miligrama, outros de 10 ou de 25 para avaliar os efeitos de diferentes quantidades.

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