Ucrânia já libertou 50% do território conquistado pela Rússia no início da operação militar especial

Nos primeiros dias da operação militar especial, a Rússia conseguiu ocupar 75 mil quilómetros quadrados da Ucrânia – ao todo, Moscovo garantiu 200 mil quilómetros quadrados de um total de 614 mil que tem a Ucrânia

Francisco Laranjeira

Nos últimos cinco dias, dois batalhões de infantaria do exército russo, com os aliados das repúblicas de Donetsk e Lugansk, iniciaram uma ofensiva em Pavlivka, na frente de Donetsk, uma das zonas mais bem defendidas pelos ucranianos. As duas unidades lutaram durante meses por Mariupol e sofreram grandes baixas, pelo que foram retiradas da frente e reabastecidas com os novos recrutas civis, que vieram substituir os mortos e feridos. Para surpresa dos defensores, não tentaram rodear os bunkers ou as trincheiras mas foram lançados, com os seus blindados, em frente, como se fazia durante a I Guerra Mundial.

O exército ucraniano, garantiu esta terça-feira o jornal espanhol ‘El Mundo’, destruiu metade dos blindados em poucos minutos e deixaram 300 mortos russos pelo campo de batalha. As imagens dos mortos, captadas por drone, surgiram em todos os grupos militares russos, que pouco a pouco começam a dar conta que o triunfalismo exibido por Moscovo durante meses choca com a realidade no terreno. As críticas sobre a forma de conduzir a guerra já não incidem sobre o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, mas diretamente sobre Putin e o novo comandante, Sergey Surovikin.



Nos primeiros dias da operação militar especial, a Rússia conseguiu ocupar 75 mil quilómetros quadrados da Ucrânia – ao todo, Moscovo garantiu 200 mil quilómetros quadrados de um total de 614 mil que tem a Ucrânia.

Na atualidade, a Ucrânia já libertou mais de 50% desse território, em todas as áreas: a zona que rodeia a capital Kiev, a região de Kharkiv, incluindo toda a fronteira norte. Mas é possível que a Ucrânia não se detenha por aqui: há avanços diários em Lugansk e Kherson.

Fontes ucranianas sublinharam que a Rússia tirou da zona oeste do rio Dnipro as suas melhores unidades e enviou os recrutas para cobrir o espaço. Será complicado para Moscovo conservar a zona por muito mais tempo, com a logística comprometida com os ataques de longa distância dos lançadores HIMARS e a falta de pontes para transportar alimentos ou veículos pesados.

Nos últimos dias, a Rússia registou enormes perdas de soldados em todas as frente. “Os recrutas não têm treino nem equipamento moderno”, apontou um membro das forças especiais ucranianos. Em Svatove, a norte de Lugansk, renderam dezenas de militares nas últimas 24 horas. Reonhecem terem sido abandonados pelos seus oficiais em posições mal defendidas, sem comida ou água. Moscovo regista 300 mortos por dia em toda a Ucrânia, uma marca insustentável para qualquer exército.

A 28 de julho, 105 soldados do batalhão Bootur registaram numa fotografia o momento da partida para a Ucrânia. A semana passada, repetiram a fotografia, no mesmo lugar, mas com somente 15 pessoas.

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