O abandono de animais de companhia está a aumentar significativamente em todo o país desde o início do ano. “Tem sido uma coisa pavorosa em todo o país”, revelou Luísa Barroso, presidente da União Zoófila, em declarações à ‘CNN Portugal’.
“Nunca houve tantos animais abandonados como agora. Recebemos dezenas de pedidos de pessoas que encontraram animais, já não só em Lisboa, mas de toda a parte do país. Há situações tão dramáticas como uma ninhada de 13 gatos que tinham acabado de nascer e estavam a enterrá-los vivos. Isto foi em setembro, entretanto já foram todos adotados”, garantiu a responsável, sublinhando: “Mas, a partir de agora, vai ser cada vez mais difícil atender a este tipo de situações.”
A falta de donativos tem causado uma situação financeira “péssima” à associação. “Depois da pandemia e com esta crise financeira, deixámos de receber os donativos significativos que nos ajudavam a manter o abrigo. A situação foi-se agravando e os donativos agora são pequeninos, de 10, 5 euros”, lamentou Luísa Barroso, ressalvando que todo o apoio é bem-vindo, mas é pouco face às necessidades.
Atualmente com 460 cães e 170 gatos, a responsável alertou que não há mais entradas de animais. “É horrível, mas decidimos pôr um travão. Não podemos receber mais”, frisou, devido às dívidas que se acumulam. “Temos imensas dívidas em hospitais veterinários, que já estão a deixar de fornecer o que precisamos, porque os pagamentos estão atrasados”, admitiu.
Segundo dados das associações e Centros de Recolha Oficial de Animais (CROA) em todo o país, os animais recolhidos ultrapassaram os 43 mil, este ano esse número poderá ser superior, impulsionado pelas dificuldades económicas e financeiras das famílias – só o CROA do Porto viu o número de animais entregues às suas instalações triplicar. No ano de 2021, foram entregues pelos detentores 59 animais; este ano, até 30 de setembro, já foram entregues 165 animais, o que se traduz num aumento de 179%. O número de animais recollhidos pelo CROA ou PSP “tem vindo a diminuir”, devido à obrigatoriedade de identificação eletrónica dos animais e das alterações legislativas que classificam o abandono de animais como crime.
O preço das rações aumentou em todo o mundo: segundo os britânicos da ‘BBC’, subiu 10,3% nos EUA, enquanto na União Europeia cresceu 8,8%. Em Portugal, o preço da ração aumentou entre 10 a 15%. “Já não temos dinheiro para encomendar. Agora, estão a comer a ração que nos dão. O estado dos animais piora mas não temos alternativa”, lamentou Luísa Barroso.










