Os homens portugueses cuidam mais dos filhos mas por menos tempo, revelou esta sexta-feira um inquérito do Instituto Europeu da Igualdade de Género junto de 42.300 pessoas, entre os 20 e 64 anos. Se por um lado a Covid-19 não trouxe uma mudança significativa na prestação de cuidados, continuando esta a ser exercida predominantemente por mulheres, o tempo passado pelos homens com os filhos passa do 8 ao 80 em Portugal.
Vejamos: na crise de saúde pública, 97% das mulheres e 92% dos homens com filhos ou netos com menos de 12 anos a cargo dedicaram-lhes pelo menos uma hora por dia. “Quando se pergunta a homens e mulheres da população adulta em geral (com ou sem filhos/netos) se passam uma hora ou mais todos os dias cuidando de crianças, idosos ou pessoas com deficiência, a proporção de homens que responde sim é em Portugal 3% superior à média da UE”, explicou, ao jornal ‘Público’, Blandine Mollard, perita do EIGE. No entanto, quando a pergunta incide sobre quatro ou mais horas a cuidar dos pequenos, a resposta é diametralmente diferente: num dia de semana, 50% das mulheres e 20% dos homens revelaram passar tempo. É a maior disparidade no espaço europeu, a par da Alemanha.
Portugal passou assim de país com maior paridade para o país com maior disparidade de género nas duas questões, a esse nível, da União Europeia (UE).
“As desigualdades persistem, com as mulheres muito mais propensas a arcar com a alta intensidade de prestação de cuidados às crianças”, referiu a especialista.
Durante a pandemia da Covid-19, e com o ensino a ser ministrado à distância, houve mais mulheres (55%) a assumir a responsabilidade pelo apoio escolar do que homens (27%). O mesmo aconteceu em relação à gestão dos horários (55% para 25%).










