A Península Ibérica ‘ganhou’ um país: quer com isto dizer que há um novo vizinho para Portugal e Espanha – Listenbourg, um país fictício, surgiu nas redes sociais e tomou o mundo de assalto. O que se iniciou como uma piada sobre a suposta falta de conhecimento de geografia dos americanos tornou-se viral.
“Tenho certeza de que os americanos nem sabem o nome deste país”, podia ler-se na rede social Twitter, sobre o país que, inclusivamente, fazia parte da União Europeia.
Je suis sûr que les américains ne connaissent même pas le nom de ce pays ptdrrr pic.twitter.com/aecSupQdyU
— Gas🅿️ardo (@gaspardooo) October 30, 2022
Bastaram três dias para o mapa tornar-se viral, fazendo as delícias dos ‘memes’, na rede social Twitter, para satisfação dos internautas, que levaram a brincadeira a todo um outro nível. Foi criado um mapa satélite de alta definição do ‘novo país’ enquanto no Reddit foi criado um canal que garantiu que Listenbourg tem o seu próprio Grande Prémio de Fórmula 1 e que astronautas ‘listenbourguenses’ tinham inclusive feito parte de uma missão à Lua.
Pour toutes procédures administratives liées au papiers d'identités & visas n'hésitez pas à nous contacter!
Für alle administrativen Anfragen zu Ausweisen und Visa kontaktieren Sie uns bitte!
For all administrative procedures related to identity papers & visas contact us! pic.twitter.com/nmCgUgYXfR
— Ministry of the Interior (@IntrListenbourg) November 1, 2022
Um suposto Ministério do Interior foi criado para responder a quaisquer perguntas sobre os documentos de identidade e vistos. No YouTube, foi criada uma bandeira vermelha e branca com uma água dourada, assim como uma conta supostamente oficial do Governo local. Também foi criada uma entrada da Wikipedia francesa para a República de Listenbourg, entretanto retirada.
Mas, afinal, porque é que a piada se tornou tão grande na França e na Europa? Como muitos outros países e regiões da Europa, a França foi vítima dos maus conhecimentos geográficos por parte dos media americanos – em 2005, a CNN erroneamente colocou Toulouse e Estrasburgo na Suíça e na Alemanha. A CNN também colocou a região ucraniana de Donbass no Paquistão – um continente inteiro de distância – depois de a guerra ter arrancado em 2014, com a invasão de Putin.
A Eslováquia e Eslovénia são confundidas com tanta frequência que a última considerou redesenhar a sua bandeira em 2004 para ajudar a evitar futuras confusões. Os suspeitos do atentado na Maratona de Boston de 2013 foram identificados como sendo de origem chechena, o que obrigou o embaixador checo nos Estados Unidos a esclarecer publicamente a diferença entre os dois lugares.
Não é o primeiro exemplo de países inventados: recorde-se da Molvânia, criado por um grupo de comediantes australianos, ou a Iugoslováquia – Borduria e Syldavia, ambos países fictícios dos Balcãs que aparecem nos livros do ‘Tintim’, são usados para destacar o desconhecimento geográfico da zona. E depois há o Absurdistão, um termo usado pelos dissidentes soviéticos para descrever partes ou toda a URSS e seus estados satélites, principalmente pelo ex-presidente tcheco Vaclav Havel.
Alguns microestados não reconhecidos também merecem inclusão, como o irónico Reino da Valáquia, na Chéquia, resultado de uma elaborada brincadeira em 1997. Há também a República Livre de Liberland, criada pelo político e ativista checo Vit Jedlicka após a dissolução da Jugoslávia, que tem a sua própria bandeira, hino e constituição – Jedlicka emite cidadanias e passaportes da micronação desde 2015.







