Rui Pinto garante que ‘Football Leaks’ “só deu prejuízo”: “Esperava que o público desse uns trocozinhos”

Hacker está a ser julgado no Juízo Central Criminal em Lisboa

Francisco Laranjeira

Rui Pinto negou ser o autor de um perfil no Facebook que pretendia humilhar o Sporting. “Nunca tive relação com isso”, referiu, garantindo que “fazia parte da estratégia de comunicação do Benfica usar exércitos digitais”, durante a sessão de julgamento, esta segunda-feira, no Juízo Central Criminal em Lisboa. A publicação “Catch me if you can” (apanhem-me, se conseguirem, em inglês)” fez, segundo o hacker, ter sido “muito prejudicado” por essa publicação, que foi “encarada pelas autoridades como uma provocação” e “utilizado pelo Tribunal da Relação para justificar” a sua prisão preventiva.

O hacker, de 34 anos, partilhou em tribunal mais detalhes sobre o ‘Football Leaks’ garantindo que não recebeu pelo projeto qualquer tipo de doação. Reconheceu, no entanto, que estava “à espera” que o público desse “uns trocozinhos para ir mantendo o projeto”. “Mas acabou por dar só prejuízo. As pessoas não gostam de gastar dinheiro”, apontou. As contribuições eram pedidas em bitcoins, no site do Football Leaks.



Por último, o hacker reiterou a importância de ter tornado público no ‘Football Leaks’ “quem era o verdadeiro investidor e o beneficiário final” da Doyen Sports. “Houve sempre grande opacidade e secretismo relativamente à Doyen Sports”, explicou, admitindo que desconhece quais as consequências para o cidadão cazaque em Malta, onde aquele fundo de investimento estava sediado. “Todos os clubes com contratos com a Doyen Sports acabaram punidos pela FIFA”, acrescentou.

Rui Pinto responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 7 de agosto de 2020, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu “sentido crítico”, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

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