As quatro regiões ucranianas anexadas pela Rússia estão sob a proteção do seu arsenal nuclear, revelou esta terça-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov: a declaração russa surge num momento de tensão aguda entre a NATO e a Rússia, com a realização de exercícios militares para testar a prontidão das suas forças de armas nucleares.
“Todos esses territórios são partes inalienáveis da Federação Russa e estão todos protegidos. A sua segurança é fornecida ao mesmo nível do resto do território da Rússia”, garantiu o porta-voz.
A anexação foi condenada pela Ucrânia, os seus aliados ocidentais e uma esmagadora maioria de países na Assembleia Geral das Nações Unidas.
Vladimir Putin já avisou, em setembro último, que Moscovo estava pronta para usar armas nucleares, se necessário, para defender a “integridade territorial” da Rússia. Também o presidente dos EUA, Joe Biden, frisou, a 6 de outubro, que a ameaça russa trouxe o mundo mais perto do “Armagedom” do que em qualquer outro momento desde a crise dos mísseis cubanos de 1962.
Diversos analistas apontaram que a probabilidade de Putin recorrer a armas nucleares aumentou desde que o seu exército sofreu uma série de grandes derrotas. Outros especialistas, no entanto, argumentaram que o risco nuclear é exagerado, sugerindo que seria suicida para Putin embarcar em tal escalada.
A NATO deu início, esta segunda-feira, aos seus exercícios de preparação nuclear e disse que espera que a Rússia realize os seus próprios exercícios nucleares em breve. Peskov, no entanto, garantiu não ter informações sobre o assunto. “Existe um sistema estabelecido de notificações para informar sobre a realização de exercícios, e isso é feito pelos canais do Ministério da Defesa”, disse.










