Os primeiros-ministros de Portugal, Alemanha e Espanha reúnem-se esta sexta-feira, à tarde, em Berlim para debater a situação do abastecimento de energia na União Europeia (UE) – António Costa, Olaf Scholz e Pedro Sánchez vão abordar o “abastecimento energético e a violação do Direito Internacional por parte da Rússia contra a Ucrânia e questões da reconstrução do país”, segundo afirmou um porta-voz do executivo alemão, Wolfgang Büchner. Serão ainda abordadas “questões de política europeia e de política internacional, entre elas a preparação da cimeira do Conselho Europeu em Bruxelas dos dias 20 e 21 de outubro”, revelou o Governo alemão.
Esta reunião surge na sequência do apoio de Scholz ao projeto do novo gasoduto nos Pirenéus, para ligar a Península Ibérica ao resto da Europa, em linha com as pretensões de Portugal e Espanha, mas que conta com a oposição de França.
No passado dia 5, Olaf Scholz manifestou “apoio de forma explícita” a um novo gasoduto nos Pirenéus e afirmou não ter “a impressão” de o projeto estar excluído por parte de França. Scholz defendeu na mesma ocasião que a construção deste gasoduto, conhecido como MidCat, é um “elemento fundamental” para garantir o abastecimento energético dos países da UE mais dependentes de gás russo. Destacou ainda que este projeto tem uma perspetiva de longo prazo e que, para além do transporte de gás no imediato, servirá para fornecer outras energias, como hidrogénio no futuro.
Em Praga, o presidente francês, Emmanuel Macron, voltou a manifestar a sua oposição ao novo gasoduto, argumentando que a Europa deve sim investir nas interconexões elétricas. Sustentou ainda que as atuais ligações são subutilizadas, sendo que até é França que exporta gás para Espanha, e voltou a opor-se a um projeto que levaria “5 e 8 anos” a concretizar, mantendo a Europa muito dependente das importações de gás de países terceiros.
“O que a Península Ibérica pede é para estar integrada no mercado energético”, sublinhou Pedro Sánchez, considerando que isso seria positivo para França, para a Alemanha e para todos os europeus, pela “maior tranquilidade” que daria haver “mais alternativas energéticas”. Esse “corredor” para transporte de hidrogénio e gás “é algo que não compete a uma questão bilateral entre a Península Ibérica e França”, mas “um problema, um desafio e um compromisso europeu”, disse o primeiro-ministro espanhol. “Se o entendermos como europeu estou convencido de que poderemos encontrar a solução mais adequada e mais rápida”, afirmou.











