“Não é com nenhuma satisfação que trazemos este retrato”, garantiu Mário Nogueira, dirigente sindical da FENPROF (Federação Nacional Dos Professores), esta terça-feira. “Não queremos passar mensagem que a escola pública está em grandes dificuldades. Mas é necessário denunciar”, frisou, na sequência do levantamento nacional sobre as condições de abertura do ano letivo, que foi realizado nas primeiras duas semanas, entre 13 e 23 de setembro.
“Centrámos a nossa atenção em dois aspetos fundamentais, a questão da falta de professores em primeiro lugar. Fizemos um levantamento de 28% do universo escolar do país, em 227 agrupamentos e escolas, e podemos dizer que nestas duas semanas o ano letivo abriu com três quartos das escolas (73,5%) do com falta de professores. Aconteceu de tudo, de entre 1 e 34 professores em falta”, assegurou Mário Nogueira.
“Muitas das faltas estão a ser colmatadas com o recurso a não profissionalizados, jovens que não optaram pela profissão de professor, e acabaram por vir dar aulas. Se a situação não é tão visível no norte (2,7%), no centro já se sente um pouco mais (20%) da contratação de professores nessas condições”, apontou. “Mais de metade já recorreu a professores que não vieram da via de ensino.”
“O ministro da Educação tem insistido que o problema tem sido as baixas médicas. Não sei porque se surpreende: se estão 2 mil professores de baixa – estamos a falar de 1,6% do corpo decente em Portugal – e considerando que 20% do corpo docente são sexagenários, estamos a falar então de pessoas de excelente saúde”, ironizou Mário Nogueira. “Ao tomar medidas avulsas para compensar a falta de professores, não resolveu o problema”, criticou.








