Polícia brasileira detém mulher que roubou a mãe idosa em mais de 137 milhões de euros

Genevieve Boghici é viúva de um grande colecionador de arte e marchand e foi burlada por uma quadrilha liderada pela filha

Francisco Laranjeira

A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou, na passada 4ª feira, uma operação para prender uma quadrilha acusada de roubar mais de 137 milhões de euros de uma idosa de 82 anos – foram roubadas a Genevieve Boghici diversas obras de arte famosas, joias e realizadas diversas transferências bancárias que estão agora a ser recuperados.

A principal suspeita da polícia é a filha da idosa, que terá idealizado todo o roubo, uma das quatro pessoas presas na operação até ao momento. Ao todo, são seis mandados de prisão, outros de busca e apreensão e bloqueio de bens decididos pela justiça.



Segundo a polícia, a idosa é viúva de um grande colecionador de arte e ‘marchand’. Em janeiro de 2020, a vítima deixava uma agência bancária, em Copacabana, na zona sul do Rio, quando foi abordada por uma mulher que se intitulava vidente e disse que a sua filha estaria doente e que morreria em breve. Perante a situação, a idosa, cujas filha enfrenta problemas psicológicos desde a adolescência, convenceu-se a realizar os pagamentos solicitados para o tratamento espiritual proposto pela vidente.

De acordo com a investigação policial, entre os dias 22 de janeiro e 5 de fevereiro de 2020, foram realizadas oito transferências bancárias de perto de um milhão de euros. Dias após o início do falso tratamento, a filha começou a isolar a mãe das pessoas de convívio regular, tendo também dispensado funcionários que prestavam serviços domésticos na casa da idosa, utilizando a pandemia da Covid-19 como justificação. O isolamento contribuiu para uma série de desconfianças e a suspensão dos pagamentos. Segundo a polícia, foi após essa decisão que a idosa passou a ser agredida e ameaçada. As únicas visitas à residência eram feitas pelos conhecidos da filha, envolvidos no crime.

Além de dinheiro e joias, os ladrões roubaram mais de 133 milhões de euros em quadros de artistas como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti, num total de 16 obras – três das quais, avaliadas em roubou mais de R$ 700 milhões em quadros de artistas como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Cícero Dias, Rubens Gerchman e Alberto Guignard. Ao todo, foram 16 obras. Três delas, avaliadas em mais de 57 milhões de euros, foram recuperadas numa galeria de arte em São Paulo.

O proprietário do estabelecimento confirmou que vendeu outras duas para o Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, não desconfiando do crime por conhecer a família e pelos quadros terem sido entregues pela própria filha da idosa.

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