Entre terça-feira e quarta-feira, a líder da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, esteve na ilha asiática de Taiwan, mesmo após a China ter emitido múltiplos e cada vez mais duros avisos de que isso seria uma violação da soberania chinesa e prometido consequências severas.
Durante a tarde de ontem, Pelosi levantou voo de Taipé em direção a Seul, capital da Coreia do Sul, mas para trás deixou um clima de tensão e crispação geopolítica, com as forças de Pequim a realizar exercícios militares no Estreito de Taiwan, enquanto o país insular colocava o seu exército em estado de alerta.
Num artigo de opinião publicado hoje no ‘EUObserver’, o embaixador chinês na Bélgica, Cao Zhongming, escreve que “a completa reunificação da China é imparável” e que “tentativas de apoio ou de conivência com a ‘independência de Taiwan’, seja por que meios for, é o mesmo que transportar água numa peneira – tudo em vão”.
Ecoando a narrativa oficial de Pequim, o representante diplomático sublinha que a visita de Pelosi “tem impactos severos na fundação política das relações entre a China e os Estados Unidos” e que “mina gravemente a paz e estabilidade no Estreito de Taiwan”.
Acusando Washington de se colocar ao lado dos “separatistas de Taiwan” contra a China, Cao Zhongming salienta que o evento, que captou as atenções mundiais, “é uma provocação retrogressiva”, apesar de, continua, “em anos recentes, os EUA terem declarado que apoiam a política de Uma China [que prevê que Taiwan é parte indissociável da China continental]”.
Assim, os EUA “foram contra o seu compromisso para só manter laços oficiosos com a região de Taiwan”, acusa o diplomata, acrescentando que a Casa Branca tem vindo a “aumentar o nível de contactos com Taiwan, aumentado as vendas de armas a Taiwan e conluiado com as forças separatistas que advogam a ‘independência de Taiwan’”.
“Ao fazer isso, os Estados Unidos estão a usar Taiwan para conter a China”, lança o embaixador chinês, e denuncia que o governo norte-americano, através de uma “agenda egoísta”, “tornou-se o maior destruidor da paz e estabilidade no Estreito de Taiwan e o maior destruidor da paz nos dias de hoje”.






