O Papa Francisco poderá encontrar-se com o Patriarca Kirill, líder da Igreja Ortodoxa Russa que a União Europeia (UE) acusa de apoiar a guerra na Ucrânia, avança o ‘Euronews’, adiantando que o encontro pode acontecer em setembro.
Em causa está o VII Congresso de Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais, que acontecerá na capital do Cazaquistão, Nur-Sultan, de 13 a 15 de setembro, e no qual o Papa irá participar, tal como informou hoje o Vaticano.
Francisco já tinha planeado encontrar-se com Kirill no dia 14 de junho em Jerusalém, mas cancelou essa reunião a conselho dos diplomatas do Vaticano.
Se a reunião de setembro acontecer, será a segunda, após um encontro em Cuba em 2016. Este foi o primeiro encontro desse tipo entre um papa e um líder da Igreja Ortodoxa Russa desde o Grande Cisma em 1054.
A declaração do Vaticano a anunciar a viagem não mencionava Kirill, mas foi lançada em russo, italiano e inglês. Cazaque e russo são as duas línguas oficiais do país.
Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro, desenvolveu-se uma rutura entre o Vaticano e a Igreja Ortodoxa Russa. Numa entrevista publicada em maio num jornal italiano, Francisco disse que Kirill “não pode tornar-se o fantoche de Putin”.
A posição de Kirill também dividiu a Igreja Ortodoxa em todo o mundo e desencadeou uma rebelião interna que levou à rutura dos laços de algumas Igrejas Ortodoxas locais com a Rússia.
O presidente russo Vladimir Putin é membro da Igreja Ortodoxa Russa e apresentou as suas ações na Ucrânia como uma “operação militar especial” destinada a “desnazificar o país”.
O Papa Francisco rejeitou essa terminologia, descrevendo a invasão como uma “conquista armada”, acusando a Rússia de “imperialismo” e chamando o conflito de “guerra cruel e sem sentido”.
O pontífice expressou o seu desejo de visitar Kiev e Moscovo, na esperança de promover a paz nesta última.








