Visita de Pelosi a Taiwan: Residentes mostram-se tranquilos e desvalorizam avisos da China como “ameaças verbais e intimidação”

A Presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, deverá fazer um périplo pela Ásia em agosto e uma das paragens será a ilha de Taiwan, um território que a China diz que lhe pertence e que, apesar de ter instituições democráticas próprias, não é um Estado soberano.

Filipe Pimentel Rações

A Presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, deverá fazer um périplo pela Ásia em agosto e uma das paragens será a ilha de Taiwan, um território que a China diz que lhe pertence e que, apesar de ter instituições democráticas próprias, não é um Estado soberano.

Contudo, os EUA, apesar de não ter laços diplomáticos formais com Taiwan, já avisou que seriam obrigados, fruto de acordo estabelecido com o governo de ilha, a defender a ilha asiática com recurso às armas caso as forças chinesas viessem a invadir ou atacar esse território insular.



As tensões entre Pequim e Washington atingiram o nível mais alto dos últimos tempos e a visita de Pelosi veio por ainda mais achas na fogueira geopolítica, com trocas mútuas de ameaças duras e de promessas da China de retaliação se os EUA não recuarem e se, aos olhos chineses, violarem a sua integridade territorial.

Se se concretizar, o que ainda é uma incerteza, será a primeira vez desde 1997 que um líder da Câmara dos Representantes dos EUA visita Taiwan.

Contudo, o clima de tensão não parece encontrar correspondência na população taiwanesa. De acordo com a agência ‘Reuters’, os residentes da ilha mostram-se tranquilos, que afirmam que os vários alertas que chegam dos corredores do poder chinês “são maioritariamente ameaças verbais e intimidação”, pelo que não veem razão para estarem preocupados.

A imprensa taiwanesa está principalmente concentrada nas campanhas políticas para as eleições locais, que estão marcadas para o próximo dia 26 de novembro, e as capas dos jornais nacionais ocupam-se também das altas temperaturas que o país enfrenta, que têm estado acima dos 30 graus centígrados.

Estando há muito no centro de tensões políticas entre ocidente e China, os residentes de Taiwan estão já habituados às intimidações chinesas, pelo que os avisos agora motivados pela potencial visita de Pelosi são mais um dia nas suas vidas.

À ‘Reuters’, um membro do Partido Democrático Progressivo taiwanês, Wang Ting-yu, explica que “para o povo de Taiwan, as ameaças chinesas nunca pararam nas últimas décadas”, mas que a ilha não deverá ceder ao medo e continuar a viver.

Sobre a visita de Pelosi, Wang Ting-yu sublinha que isso “mostra o compromisso americano para com Taiwan de uma forma bastante formal”.

Uma fonte não-identificada no governo taiwanês conta que “se ela [Nancy Pelosi] vier, a visibilidade internacional de Taiwan aumentará exponencialmente e irá encorajar mais aliados a fazerem mais para apoiar Taiwan”.

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