A chamas continuam a queimar as zonas florestais do “velho continente”, com já centenas de mortes associadas a temperaturas elevadas e ondas de calor sem precedentes. O aquecimento global só nos permite vislumbrar cenários futuros mais negros, de incêndios intensos e períodos de seca cada vez mais frequentes e duradouros.
Com isso em mente, a Comissão Europeia (CE) tem planos para reforçar os meios aéreos do serviço comunitário de Proteção Civil, para ajudar os Estados-membros a fazerem frente aos fogos na região, com especial enfoque no Sul europeu, mais fortemente fustigado por altas temperaturas e secas.
O comissário europeu com a pasta da Gestão de Crises, Janez Lenarcic, contou à agência ‘Reuters’ que atualmente o mecanismo europeu de Proteção Civil está a gerir e a financiar a operações de 12 aviões de combate a incêndios e um helicóptero, que serão partilhados pelos 27 Estados-membros. Contudo, reconhece que são precisos mais meios, à medida que a temperatura global aumenta e, com ela, aumenta o risco de fogos.
Numa publicação no Twitter, Lenarcic escreve que “a Europa está a enfrentar um verão difícil”.
With the Mediterranean not yet halfway through its typical June-September fire season, Europe is facing a difficult summer.
More with @Reuters about the 🇪🇺 response to increasingly devastating #forestfires seasons in Europe. 👇 https://t.co/WGF2krudvG
— Janez Lenarčič (@JanezLenarcic) July 19, 2022
Nesse quadro, a CE pretende comprar mais aeronaves para reforçar o seu mecanismo de combate a incêndios. “Os aviões serão tecnicamente comprados pelos Estados-membros, mas serão 100% financiados pela União Europeia”, explica o responsável.
As negociações entre a CE e os potenciais fornecedores ainda estão em curso, pelo que não há qualquer contrato assinado, mas Lenarcic aponta que o foco será a aquisição de aviões anfíbios. O comissário não avançou quantos aviões seriam comprados, nem quando estariam disponíveis.
Só este ano, a CE já recebeu cinco pedidos de ajuda por parte de Estados-membros, entre eles Portugal, face aos nove de 2021. E o comissário europeu alerta que a típica época dos incêndios na região do Mediterrâneo, estabelecida entre junho e setembro, ainda agora começou, pelo que se deverão esperar mais incêndios e um aumento da necessidade de auxílio comunitário.
O enquadramento normativo europeu estabelece que os Estados-membros têm responsabilidade pela prevenção e resposta a incêndios, sendo que o auxílio só é pedido à União Europeia quando existe incapacidade comprovada para enfrentar os fogos nos seus territórios.
O ano de 2017 foi o ano em que se registou a maior área ardida na União Europeia, muito devido ao imenso fogo que consumiu vastas áreas florestais em Pedrógão Grande. Por outro lado, 2021 ficou em segundo lugar na lista dos anos com mais área ardida, com um total de mais de meio milhão de hectares no território da UE.
Em 2021, o serviço da Proteção Civil europeu contava co um orçamento de cerca de 900 milhões de euros, mas Lenarcic garantiu que “no futuro próximo, terá de ser reforçado”, não só para responder aos incêndios, mas também a outras crises, como a pandemia de Covid-19 e outras que venham a ocorrer e a guerra na Ucrânia.










