Europa arrisca “conflito e instabilidade” se faltar energia no inverno, alerta alto oficial da UE

Frans Timmermans defende que a União Europeia (UE) deve regressar, ainda que temporariamente, aos combustíveis fósseis para evitar a insegurança energética e consequentes conflitos no continente por não haver energia.

Filipe Pimentel Rações

Frans Timmermans defende que a União Europeia (UE) deve regressar, ainda que temporariamente, aos combustíveis fósseis para evitar a insegurança energética e consequentes conflitos no continente por não haver energia.

Em entrevista ao ‘The Guardian’, aquele que é um dos vice-presidentes da Comissão Europeia, e que tem tomado a dianteira das negociações do Pacto Ecológico Europeu, afirma que “se a nossa sociedade [europeia] degenerar em conflitos e instabilidade muito, muito fortes porque não há energia, certamente isso não permitirá que atinjamos os nossos objetivos [climáticos]”.



Timmermans salienta que “precisamos de garantir que as pessoas não passam frio no inverno que se aproxima” e que “mantemos a nossa indústria a funcionar”, acrescentando que divisões nas sociedades europeias só ajudarão a Rússia e o Presidente Vladimir Putin a alcançarem os seus objetivos de desestabilização da região.

O oficial europeu explica que se as pessoas não tiverem energia para aquecerem as suas casas, a luta pela proteção do clima será posta de lado. “Estou na política há tempo suficiente para perceber que as pessoas se preocupam com crises imediatas e não sobre crises longínquas”, argumenta.

Timmermans aponta que será preciso voltar a queimar carvão para garantir a segurança energética da Europa. Ele diz que recusar liminarmente esse produto fóssil, nesta altura, seria estar “a contribuir para que as tensões nas nossas sociedades aumentam cada vez mais”.

E o vice-presidente europeu não afasta a possibilidade de se voltar a colocar os combustíveis fósseis, mesmo que a curto prazo, no centro da estratégia energética da União Europeia, e que isso não comprometerá o alcance das metas climáticas de 1,5 graus centígrados acima os níveis pré-industriais.

Timmermans chega mesmo a sugerir que continue a ser feita exploração de petróleo, designadamente no continente africano, sublinhando que, no atual panorama global, não é sensato apelar aos países que detêm reservas de combustíveis fósseis para não explorarem esses recursos. “Isso seria hipócrita”, frisa.

Olhando para a próxima cimeira mundial do clima, a COP27, agendada para novembro no Egito, o político europeu diz que não tem grande esperança que desse encontro resultem novos compromissos dos Estados para reduzir emissões de gases com efeito de estufa.

Timmermans identifica uma causa para a insegurança energética na Europa e para os atrasos na concretização da transição para economias assentes em energias renováveis: Vladimir Putin. Afirma que a guerra que a Rússia lançou contra a Ucrânia está a causar intensas disrupções nos mercados energéticos a nível mundial e bloqueando o caminho em direção a uma verdadeira transição energética na Europa.

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