Ucrânia: Rússia já agitou a “ameaça nuclear” mais de 30 vezes desde o início da guerra, diz Boris Johnson

O Primeiro-ministro britânico acredita que é possível chegar a um acordo com o Presidente russo para terminar o conflito, sem que Vladimir Putin tenha que abdicar do poder. E essa paz é possível apesar das cerca de 35 ameaças nucleares já feitas pelo líder do Kremlin desde 24 de fevereiro.

Filipe Pimentel Rações

O Primeiro-ministro britânico acredita que é possível chegar a um acordo com o Presidente russo para terminar o conflito, sem que Vladimir Putin tenha que abdicar do poder. E essa paz é possível apesar das cerca de 35 ameaças nucleares já feitas pelo líder do Kremlin desde 24 de fevereiro.

“Mas acho que é muito importante que não nos deixemos distrair por este tipo de intimidações”, sustém o Primeiro-ministro britânico, apontando que Putin está a tentar construir uma narrativa de que a guerra na Ucrânia é, na realidade, um confronto existencial entre a Rússia e a NATO.



Em entrevista esta manhã à rádio britânica ‘LBC’, Boris Johnson explica que Putin pode negociar um acordo de paz e manter a retórica amplamente difundida pelos canais oficiais russos de que a invasão era necessária para “desnazificar” a Ucrânia.

À medida que a Aliança Atlântica continua a armar as forças ucranianas, e depois de ter prometido reforçar o apoio militar a Kiev, na cimeira de Madrid terminada ontem, a Rússia tem vindo a reforçar a ideia de que o conflito na Ucrânia é entre a Rússia e o bloco político-militar ocidental.

Mas Johnson garante que não é isso que se passa. “Trata-se do ataque que ele [Putin] lançou sobre um país inocente inteiro com armas convencionais, com artilharia, bombardeamentos e aviões, mísseis e por aí fora”, assegura. Na face da tentativa russa de reconstruir a realidade, o líder britânico sublinha que “Trata-se do direito dos ucranianos para se protegerem a eles mesmos”.

O PM acredita que Putin não tem que deixar o poder para que a guerra possa chegar ao fim, e acrescenta que “o Presidente russo goza de um muito considerável apoio popular na Rússia” e que isso lhe permite assumir que Moscovo alcançou os objetivos pretendidos na Ucrânia, que foram feitas algumas conquistas, retirar a tropas e, assim, dar por terminado o conflito.

“É o que eu acho que ele devia fazer”, afirma Boris Johnson, que tem sido um dos principais defensores de um acordo de paz devidamente negociado e que a Ucrânia não deve ser forçada pelos países ocidentais a aceitar uma paz a qualquer custo.

De recordar que esta quinta-feira, o governo britânico, no final da reunião magna da NATO, anunciou que estaria a trabalhar em mais um pacote de ajuda militar à Ucrânia, no valor de 1,16 mil milhões de euros, fazendo subir para 2,7 mil milhões de euros o total da ajuda já fornecida a Kiev.

Contudo, essa medida foi recebida com críticas por parte de defensores do clima e outros membros da sociedade civil, depois de Londres ter divulgado que esse novo pacote seria financiado, embora não se saiba em que medida, por fundos que estariam destinados para o combate às alterações climáticas e para a ajuda externa, particularmente dos países mais pobres.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.