A crise do gás na Europa continua a intensificar-se e os países, não só da União Europeia, mas também da Europa no sentido mais lato, preparam-se para o pior cenário: um total corte do gás vindo da Rússia e um inverno mais frio do que o costume.
O Reino Unido tem um plano de emergência energética que contempla a suspensão do envio desse combustível para a Bélgica e para os Países Baixos, caso venha a sofrer reduções do seu próprio abastecimento, segundo avança o ‘Financial Times’. A acontecer, esse corte seria mais um “prego no caixão” da cooperação europeia no campo energético, numa altura em que os países da Europa estão cada vez mais receosos de um “apagão” no continente se a Rússia deixar de enviar o gás de que precisam para produzir eletricidade.
O mesmo órgão de comunicação social aponta que várias empresas do setor do gás já instaram Londres a unir esforços com a UE e que um corte com a Bélgica e os Países Baixos irá aprofundar ainda mais a crise energética na região.
As informações avançadas dão conta de que o Reino Unido estará já a avaliar as suas reservas de gás e que poderá começar a testar o seu plano de emergência já em setembro, pelo que no final do verão os belgas e os holandeses poderão começar a sentir o impacto dos cortes britânicos.
No entanto, esse plano só deverá entrar em vigor caso o Reino Unido verifique uma queda acentuada do volume de gás a circular nos seus gasodutos.
Ainda assim, a Comissão Europeia já reagiu aos planos britânicos. O comissário europeu Maros Sefcovic afirmou que “os nossos parceiros do Reino Unido conhecem bem as vantagens da cooperação no campo da energia” e instou o governo britânico a mostrar mais “solidariedade”.
E o Reino Unido não está sozinho nesta visão negra do inverno que se avizinha. Já a Alemanha e os próprios Países Baixos ativaram planos de emergência para o caso de um corte do gás russo, incluindo a reativação de centrais de produção elétrica a carvão e apelos para que as indústrias limitem a utilização de gás ao máximo possível.
De recordar que também esta semana, um grupo de seis países da UE – Alemanha, Áustria, República Checa, Hungria, Polónia e Eslováquia – assinaram um Memorando de Entendimento que pretende ser o primeiro passo para o desenvolvimento de uma cooperação energética em caso de um corte total do gás russo.








