As pessoas em risco de suicídio que foram ameaçadas de deportação para o Ruanda foram instruídas a aprender um instrumento musical ou tentar sudoku em vez de receber aconselhamento, segundo denunciou esta quarta-feira o jornal britânico ‘The Guardian’.
Um homem, na casa dos 40 anos e é oriundo da África Oriental, está detido no centro de remoção de imigração de Colnbrook, perto do aeroporto de Heathrow, desde que chegou ao Reino Unido de barco em maio último – foi um dos que recebeu o aviso do Governo britânico que seria deportado para o Ruanda. Foi reconhecido como sobrevivente de tortura durante uma avaliação por médicos enquanto esteve detido, que também reconheceram que estaria em risco de automutilação ou suicídio devido ao seu trauma atual e passado. Suspeita-se que possa ter sobrevivido à escravidão moderna e do tráfico de pessoas antes de vir para o Reino Unido.
Mas, apesar desta avaliação médica, não lhe foi oferecido aconselhamento. Em vez disso, ele recebeu uma nota com sugestões sobre “como se sentir melhor”, que incluía as sugestões: “Faça palavras cruzadas ou sudoku” e “toque um instrumento ou aprenda a tocar um”.
Na carta, da responsabilidade do NHS (National Health Services), pôde ler-se: “Foi encaminhado ao Serviço de Bem-Estar de Psicologia para apoio ao trauma que experimentou no passado. Infelizmente, no momento, não podemos fornecer sessões de psicologia individuais devido a circunstâncias imprevistas.”
A nota trazia uma lista de “45 coisas que pode fazer para sentir melhor”: “Soque um saco de pancadas”, “faça ilustrações ou pinte” e “experimentar aromaterapia”.
Outro homem iraniano, que está detido, recebeu uma notificação de deportação e também foi reconhecido como sobrevivente de tortura.




